Empreendedores não têm um gene especial. Têm famílias abastadas e amigos


Vivemos na era do culto do empreendedorismo, tornado solução para problemas como o desemprego e a fraca produtividade, bem como garantir a satisfação pessoal.

Sucede que o caminho para o sucesso passa bastante menos para capacidade e competência individual, pelas ideias e trabalho árduo na sua execução, do que pela origem: o acesso a capital é que é determinante.

Dados da Global Entrepreneurship Monitor mostram que mais de 80% do financiamento para novos negócios veio de poupanças pessoais, amigos e família.

Seja a riqueza ou abastança familiar, que permite almofadas para investimento pessoal, sejam as ligações que geram acesso à estabilidade financeira, o risco é um privilégio dos que têm uma estrutura por detrás.

Ser criativo é fácil. Mas é quando se está ancorado numa rede de segurança que se podem correr riscos. Seguir o seu sonho é perigoso: sem essa rede, fica muito exposto.

Não estou com isto a recomendar que não sigam os vosso sonhos, nem a maldizer os empreendedores: apenas a chamar a atenção para aspetos nunca mencionados pelos entusiastas do empreendedorismo, seguindo o artigo da Quartz.

(texto: Paulo Querido/Hoje)

Aprofundar

Entrepreneurs don’t have a special gene for risk – they come from families with money (Aimee Groth/Quartz): “Following your dreams is dangerous,” a 31-year-old woman who runs in social entrepreneurship circles in New York, and asked not to be named, told Quartz. “This whole bulk of the population is being seduced into thinking that they can just go out and pursue their dream anytime, but it’s not true.”