As nossas primeiras impressões do Windows 10 num Surface


Um computador que se transforma em tablet pareceu-nos a melhor opção para tirar primeiras impressões sobre o Windows 10, lançado oficialmente esta quarta-feira em todo o mundo.

Durante os últimos dez meses, as versões experimentais do novo sistema operativo da Microsoft estiveram ao alcance de todos os que as quisessem testar e dar feedback; e é por isso mesmo que a Microsoft se orgulha de dizer que fez o Windows 10 foi feito por 5 milhões de pessoas.

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Foi uma dessas versões experimentais que instalámos neste Surface 3, um equipamento fabricado pela própria Microsoft. O seu processador Intel Atom quad-core não faz deste computador o mais potente do mercado, mas a vantagem dele é mesmo outra: a versatilidade. Na verdade, o teclado acoplado ao equipamento pode ser encaixado e desencaixado as vezes que quisermos, transformando-o assim num computador portátil ou num tablet, conforme as nossas necessidades no momento. Existem também várias posições para usar o ecrã, ajustando o respectivo suporte para um uso mais vertical ou mais horizontal. Há ainda uma elegante caneta que podemos usar no ecrã táctil como alternativa ao rato ou para desenhar.

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Com uma estrutura leve e fina (o equipamento pesa apenas 622 g), o Surface 3 é confortável de ter na mão e de ser transportado de um lado para o outro. Tem um pequeno ecrã de 10,8 polegadas, que, apesar de pequeno para algumas tarefas, apresenta uma impressionante e nítida resolução de 1080p Full HD. Existem duas câmaras: uma traseira de 8 megapixels e uma frontal para Skype de 3,5 megapixels. Como em qualquer PC ou tablet, as câmaras servem mais como utensílio que propriamente para fazer fotos ou vídeos impressionantes. Se a câmara frontal é útil para Skype, a traseira pode ser utilizada para tweetar algo engraçado ou criar uma imagem para uma apresentação Powerpoint.

A bateria do Surface 3 não nos desiludiu. A Microsoft promete uma autonomia para 10 horas, uma estimativa que não ficou nada àquem do valor nos nossos testes. Nos lados do equipamento, encontramos as portas necessárias para um uso corriqueiro: duas UBS 3.0, uma microUSB para carregamento e uma microSD.

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Robusto por fora e por dentro, o Surface 3 não vive sem o seu sangue. O Windows 10 é a nona tentativa da Microsoft fazer um bom sistema operativo e parece que a empresa finalmente acertou. É um regresso à sanidade, depois da loucura do Windows 8. A Microsoft percebeu que computadores e tablets não são a mesma coisa e, nesse sentido, criou um sistema operativo que junta os melhores ensinamentos do Windows 7 e do Windows 8.

No Windows 10, regressa o “velhinho” menu Start, permitindo o não só acesso rápido a uma lista de todas as apps instaladas, assim como organizar as nossas apps preferidas num conjunto de mosaicos ao bom estilo do Windows 8. Alguns desses mosaicos “mexem-se” para nos dar detalhes do que está a acontecer dentro das apps, como informação meteorológica, últimos e-mails ou notificações do Twitter. Tal como no Windows 8, podemos aumentar e diminuir estes mosaicos, organizá-los em categorias…

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Outra das principais novidades do Windows 10 é a Cortana, a assistente pessoal desenvolvida pela Microsoft para os telemóveis Windows Phone. No computador, a Cortana existe para nos facilitar a vida. Ela ajuda-nos a criar lembretes para coisas que não podemos mesmo esquecer, responde às nossas perguntas e dúvidas existenciais, recomenda notícias para lermos e dá-nos detalhes de voos antes de viajarmos. Além disso, é uma poderosa ferramenta de pesquisa e de auxílio no sistema operativo, tornando-o muito mais inteligente.

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O multi-tasking é outra das vantagens do Windows 10 e, apesar de se notar inspiração no OS X, é preciso dar mérito à Microsoft, pois trabalhar num computador Windows passou a ser muito mais fácil. Podemos criar vários ambientes de trabalho e organizar as várias apps que estamos a usar por cada um deles. Conseguimos ainda organizar as apps dentro de cada ambiente de trabalho, colocando, por exemplo, uma à direita, outra à esquerda e uma terceira num cantinho em baixo.

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O Windows 10 vem com um conjunto de novas apps, como o Groove para música ou o Edge para navegar na net. Este é o novo browser da Microsoft, o sucessor do terrível Internet Explorer. O Edge propõe uma nova forma de partilhar conteúdos que vemos na web com os amigos através de ferramentas de selecção e desenho. A Cortana é outra das vantagens do Edge; ao estar integrada neste permite, por exemplo, obter rapidamente detalhes sobre restaurantes quando visitamos os seus websites. Todavia, há alguns pormenores que ainda faltam neste Edge, como o arrastar de um separador para fora da janela abrir uma nova janela. Ainda assim, a Microsoft promete continua a melhorar o Edge, por exemplo, com suporte de plug-ins que existem nos concorrentes Firefox e Chrome.

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Outra novidade é a app Photos que organiza toda a nossa biblioteca pessoal de fotos e vídeos. Já a nova app Xbox vai alegar todos os apaixonados por videojogos: para além de funcionar como rede social, permite fazer streaming de jogos da Xbox One para um computador ou tablet. Por seu lado, a suite Office (Word, Excel e PowerPoint) oferece uma interface simplificada e preparada para o toque. A Windows Store reúne apps, músicas e vídeos que podemos comprar para consumir em computadores, tablets e telemóveis.

A Microsoft organizou as notificações e os principais atalhos para as definições no lado direito do ecrã. É o chamado Action Center e, para além de nos deixar ajustar o brilho ou desligar o Bluetooth, também nos permite activar o Tablet Mode. Uma vez feito, as apps abertas passam a full-screen, assim como o menu Start, e a task bar fica ligeiramente maior. No caso do Surface, o Tablet Mode é automaticamente activado quando desencaixamos o teclado do ecrã e desactivado quando fazemos o inverso.

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Com o Surface, ficou claro que o Windows 10 é óptimo para tablets e para computadores. Mesmo apps mais complexas como o Word ou o Mail funcionam bem numa lógica táctil e sem teclado, uma vez que a Microsoft colocou botões acessíveis e removeu todo o ruído desnecessário. Todavia, quando passamos para um Photoshop ou mesmo um Chrome, já se torna mais difícil o uso do dedo. Ainda assim, no caso do Surface, podemos sempre contar com auxílio da caneta.

O Surface 3 apresenta, relativamente ao armazenamento e à memória RAM, duas configurações: 64 GB de espaço e 2 GB de RAM (por 610 euros); ou 128 GB e 4 GB de RAM (por 730 euros). A versão que testámos foi esta última e, mesmo assim, notámos o equipamento ligeiramente lento.

Ainda assim, percebemos. O Surface 3 não foi concebido para ser o nosso computador do dia-a-dia, mas antes uma solução portátil, pequena e prática para transportarmos de um lado para o outro e usarmos quer para lazer, quer para trabalho. Serve para navegar na web, para conversa no Skype, para ler e-mails e escrever documentos, mas também para ver filmes ou ouvir música.

Mas antes de comprares um Surface 3, deves garantir que tens um computador mais potente para as tarefas diárias. E mesmo quanto ao Surface 3, deves de olhar para as outras opções, como o MacBook, o MacBook Air ou até mesmo o Surface 3 Pro.