Mosquitos geneticamente modificados para acabar com a dengue


 
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A engenharia genética volta a mostrar as suas aplicações. Desta vez, mosquitos geneticamente modificados que foram libertados no Brasil com um objectivo claro: acabar com a dengue.

A Dengue é uma doença infecciosa, mais prevalente em regiões tropicais. É causada pelo vírus da dengue, um vírus que é transmitido aos humanos pela picada de um mosquito, do género Aedes, usualmente o Aedes aegypti. Esta doença afecta 390 milhões de pessoas por ano, com um número estimado de mortes que ascende aos 20 mil, sendo, a par da malária, as duas doenças mais frequentes transmitidas pela picada de um mosquito.

Contudo, os casos de dengue estão a aumentar, tanto o seu número como a sua gravidade. Ao contrário da malária, não há anti-virais específicos e, apesar dos esforços para conceber uma vacina – após 20 anos de pesquisa a Sanofi-Pasteur tem um produto em testes de fase III que mostrou bons resultados – esta ainda não se encontra no mercado.

Assim, desde há uns anos os esforços têm-se centrado não só no combate ao vírus dentro do corpo mas fundamentalmente a evitar o contacto do mosquito com o Homem. Além de todas as campanhas de prevenção lançadas à população para o combate do mosquito, foram endereçados esforços no sentido de criar uma estirpe geneticamente modificada de mosquitos.

Os cientistas criaram uma espécie de gene limitante, que introduziram no genoma de um conjunto de mosquitos. Este gene promove a morte do mosquito antes de este ter maturidade para actuar como vector e transmitir o vírus. Quando um macho transgénico acasala com uma fêmea, o gene alterado é passado à descendência.

As experiências deste género começaram há uns anos, em menor escala na cidade de Itaberaba, a cargo da empresa Oxitec. Esta zona foi usada para teste pelo facto de ser densamente povoada, com um abastecimento de água muito dependente da água armazenada em poços ou depósitos, habitat ideal para os mosquitos Aedes aegypti. Os resultados foram promissores e como tal a empresa prosseguiu o trabalho de desenvolvimento.

Em abril deste ano, seis milhões de mosquitos geneticamente modificados foram libertados na cidade de Piracicaba, uma das zonas mais afectadas pela doença. Agora, passados seis meses as autoridades estudaram os resultados da libertação da desta estirpe e verificaram uma redução brutal da população transmissora da doença. Segundo o relatório da PLOS Neglected Tropical Diseases, a introdução desta espécie em Piracicaba levou a uma redução dos mosquitos vectores de 95%.

Apesar da diminuição do risco, a transmissão não é totalmente eliminada, e os restantes 5% podem continuar a causar a dengue. Mais a mais, torna-se muito dificil libertar populações de mosquitos em todos os locais afectados, pelo que o trabalho em torno de uma vacina se assume como crucial. A melhoria dos cuidados de saúde em algumas regiões é também importante para diminuir os casos mais graves desta doença que continua a afectar milhões de pessoas nas regiões tropicais.

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