O que ver e ouvir neste SBSR?


 
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1995. O mundo começa a recompor-se da morte de um dos maiores nomes de sempre da música, Kurt Cobain. Os Queen lançam Made In Heaven, quatro anos depois da morte de Mercury. Mariah Carey, Alanis Morissette e Bon Jovi dominam as rádios nacionais. Os Foo Fighters estreiam-se com um álbum homónimo e os Oasis confirmam definitivamente que sabem fazer música com o segundo disco (What’s The Story) Morning Glory?. Também os Alice In Chains gravam o segundo (e último) álbum com Layne Staley enquanto que os Smashing Pumpkins arrebatam o mercado musical com Mellon Collie and The Infinite Sadness.

Nesse agitado ano de 95′, a 8 de Julho, nasce o Super Bock Super Rock. A Gare Marítima de Alcântara foi, na altura, o berço daquele que viria a ser um dos maiores festivais nacionais. Apresentando à data um cartaz recheado de estrelas como Jesus And Mary Chain, The Cure, Faith No More ou Yossou N’Dour, os três dias de festival não anunciavam uma lista infinita de confirmações, mas o sucesso, esse, foi garantido e suficiente para continuar esta aventura.

Vinte anos passados, mais de 9 locais diferentes e com um malabarismo constante de estilos, onde se encaixam, por exemplo os Incubus, David Bowie, Massive Attack, Fatboy Slim ou Slayer, o SBSR continua de pé e a afirmar-se com um certame incontornável. Falar deste festival é falar de uma vida. Uma infância, adolescência e (quase) idade adulta que mostrou, a muitos dos nós, o que era fazer parte dessa experiência transcendente que é ver e ouvir aqueles que nos fazem gostar de música.

De Alcântara ao Porto, Meco e, este ano, ao Parque das Nações, o camaleónico festival continua a reinventar-se, para desespero de alguns e felicidade de outros. A “falta de rock a sério” tem sido o argumento principal daqueles que defendem a génese da criação. Os outros vão agradecendo o alcance musical e a continuidade das grandes confirmações, mesmo que pelo meio admitam os “desvios” de percurso como por exemplo em 2006, onde Pharrell Williams e 50 Cent encaixaram no cartaz.

Mas, por agora, o SBSR regressa de boa saúde e mais uma vez apresenta mudanças interessantes, sobretudo a nível do espaço. O Cabeço da Flauta fica para trás, dando lugar à MEO Arena (antigo Pavilhão Atlântico), ao Pavilhão de Portugal e à Doca dos Olivais, locais históricos da Expo 98 que desta feita recebem quatro palcos. Os nomes a ter em atenção são muitos e o Shifter dá-te alguns para que possas fazer desta 21ª edição um verdadeiro marco:

Blur

“Girls And Boys”, “Country House” ou “Coffee & TV” são temas reconhecidos em qualquer parte. Os britânicos que estiveram em Portugal no NOS Primavera Sound de 2013, aterram em Lisboa para esta edição do SBSR com estatuto lendário e prometem, como sempre, um toque singular no concerto. The Magic Whip é o último disco, saiu este ano, e deve ecoar nas paredes da MEO Arena a 17 de Julho.

Toro Y Moi

Chaz Bundick está de volta com um dos mais aclamados projectos musicais dos últimos anos. O homem responsável por “Bufallo”, “Still Sound”, “You Hid” ou “Say That” traz na mala muita coisa fresca, pronta para ser mostrada no dia 16 de Julho. Com o chillwave, a electrónica e o synthpop como armas de referência, o norte-americano vai coleccionando fãs e prémios que lhe valeram presenças em festivais como o Pitchfork Music Fest, Lollapalooza, Coachella e Glastonbury. Por cá, o concerto está marcado para o palco Carlsberg às 00h30.

Savages

Guitarrada, bateria com fartura e um encaixe de voz desconcertante. As Savages estiveram por cá em 2013 (NOS Primavera Sound/Vodafone Mexefest), regressaram em 2014 (Hard Club) e agora, em 2015, já lhes sentiamos saudades. Para quem não conhece, Savages é o tipo de banda que nos deixa colados ao palco, à espera que aquilo que estamos a ver nunca acabe. “Shut Up”, “Husbands”, “Fuckers” ou “Strife” são obrigatórias ao ouvido.

Gramatik

Do noise-rock britânico passamos ao hip hop/dubstep/electrónica/trip hop esloveno. Sim, isto pode parecer algo assustador para os que ainda não ouviram Gramatik, mas, a verdade é que Denis Jasarevic percebe demasiado de música. É impossível aplicar-lhe um rótulo que faça justiça àquilo que produz, por isso, o palco Carlsberg é paragem obrigatória no dia 17 de Julho. Para conhecer melhor o que vem dali, os 4 volumes de Street Bangerz ou Beatz & Pieces são uma boa amostra.

Perfume Genius

Da mesma editora de Savages, a Matador, chega-nos Mike Hadreas, o homem que construiu Perfume Genius. Com um estilo vocal bastante próprio e melodias que parecem retiradas de uma combinação química, o músico de Seattle junta uma irreverência visual a um assalto sonoro que pode revelar-se perigoso em palco. “Grid”, “Queen” ou “Fool” fazem parte dos títulos que devem ser ouvidos.

SBTRKT

Depois de um álbum de estreia absolutamente brilhante em 2011, com participações de Sampha, Little Dragon e Jessie Ware, Aaron Jerome aka SBTRKT parece ter adoptado um outro registo. Wonder Where We Land, o segundo, não convenceu os fãs nem a crítica e deixou o produtor britânico entre o rol de maiores desilusões. Mas isso já era. As actuações live, nomeadamente no Boiler Room, e o bom gosto musical que lhe é característico, são mais do que razões para uma segunda oportunidade e para o tornar um nome a ver nesta edição do SBSR. A ouvir: “Temporary View”, “Something Goes Right”, IMO”, “Pharahos”, “New Dorp, New York” ou “Wildfire”.

Unknown Mortal Orchestra

O psicadelismo e a criatividade musical dos UMO dificilmente são comparáveis. Chegados a Portugal pela primeira vez em 2013, a banda tem regressado todos os anos por uma boa razão. O público gosta, o talento está lá e músicas como “Multi-Love”, “So Good At Being In Trouble” ou “Can’t Keep Checking My Phone” são o único argumento necessário para convencer os que não conhecem. Para ouvir no palco, o terceiro disco de originais da banda chama-se Multi-Love e teve data de saída em Maio deste ano.

Crystal Fighters

Saltando da heterogeneidade geográfica dos UMO para a capital inglesa, os Crystal Fighters trazem-nos alternative dance e folktronic que chega para descarregarmos o stress. À semelhança do que aconteceu com SBTRKT, o primeiro álbum, Star of Love, foi uma agradável surpresa, enquanto que o segundo, Cave Rave, não conseguiu sobressair. Apesar de tudo, a banda encabeçada por Sebastian Pringle garante um concerto digno de ser visto ou não fossem os clássicos “Xtatic Truth”, “Champion Sound”, “LA Calling” e “Follow” parte do repertório.

Noel Gallagher

Falar de Noel Gallagher é quase o mesmo que falar de Oasis. E não, não lhe estamos a retirar créditos da carreira a solo. A verdade é que o britânico sabe fazer música, seja em grupo ou sozinho e isso faz com que mereça a atenção do público do palco Super Bock na Sala Atlântico do MEO Arena. 16 de Julho é dia de apresentar Chasing Yesterday, o segundo álbum do ex-Oasis que já conta com alguns singles, são eles “Riverman”, “In The Heat Of The Morning” e “Ballad Of The Mighty I”.

The Drums

Para fechar, uma vacina do indie rock dos norte americanos Drums. Com clássicos como “Money”, “Let’s Go Surfing” ou “Days”, frutos de dois álbuns brilhantes, The Drums Portamento, o duo Pierce/Graham vem de Nova Iorque com um álbum semi-novo (Encyclopedia, 2014) na bagagem e pronto para dar velocidade ao palco Super Bock a 17 de Julho.

Como tem vindo a acontecer, o SBSR continua, este ano, a confirmar nomes portugueses. Jorge Palma e Sérgio Godinho são o destaque, assumindo o palco principal no dia 17 de Julho. Nos restantes, vais poder ver, por exemplo, Best Youth, We Trust, Modernos, Throes + The Shine, Márcia, Thunder & Co, Xinobi, entre outros.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!