Plutão como nunca o vimos


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Depois de na passada terça-feira ter chegado a Plutão, a sonda espacial New Horizon começou agora a divulgar fotografias mais detalhadas do planeta anão, anteriormente considerado como o nono e último planeta do Sistema Solar.

As imagens captadas numa zona próxima do equador de Plutão mostram a presença de montanhas geladas com cerca de 3300m de altura e várias centenas de metros de largura. As fotografias foram recolhidas aquando da passagem da sonda a mais de 14 km ao largo do planeta.

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O que deveras intrigou os astrónomos da NASA foi a idade estimada das montanhas à superfície de Plutão, relativamente recente, cerca de 100 milhões de anos. Uma surpresa considerando que o nosso Sistema Solar surgiu há 4,56 mil milhões de anos atrás.

A estimativa baseia-se na presença de crateras à superfície, mais especificamente na quase ausência destas. Os astrónomos verificaram que a superfície está quase intacta, apontando para que a região tenha sofrido uma modificação no seu aspecto recentemente, o que explica a ausência de crateras de asteróides que têm caído no planeta durante milhões de anos.

“Nunca teria acreditado que a primeira fotografia que receberíamos de Plutão, não teria uma única cratera nela”disse John Spencer, um dos membros da missão New Horizons, numa conferência de imprensa no Laboratório John Hopkins de Física Aplicada, em Maryland. Outro dos membros da missão, Jeff Moore acrescentou que “esta é uma das mais recentes superfícies do Sistema Solar jamais observada”.

Depois da surpresa, as implicações: Moore acredita que a conclusão mais imediata para este fenómeno é a de que Plutão ainda seja geologicamente activo.

A própria formação destas montanhas é um mistério, visto que Plutão não é atingido por forças gravitacionais de um outro corpo celeste de dimensões semelhantes que se encontre nas imediações. Isto fez com que os cientistas pensassem que a actividade geológica fosse devida a outro processo, ainda por conhecer. O facto de a energia gravitacional não ser necessária para a actividade geológica do planeta foi considerada como “um game changer” por John Spencer, classificando-a como “uma descoberta realmente importante feita nessa manhã”.

Os investigadores também ficaram surpreendidos com a topografia de Caronte. “Pensávamos encontrar um terreno antigo, coberto de crateras”, revelou Cathy Olkin, co-responsável da missão, “mas o que vimos é absolutamente espantoso”. Há muito poucas crateras em Caronte, o que “sugere uma actividade geológica muito recente”, acrescentou, com as crateras a ser apagadas por ressurgimentos de material.

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O coração de Plutão

Outra das coisas que mais tem chamado a atenção tem sido a forma de coração na superfície do planeta, que a internet já transformou em memes.

Os cientistas inicialmente acharam que se tratava de uma forma provocada pela neve mas, tendo em conta o planeta, o mais certo é tratar-se de metano sob a forma gelada.

Mas não só a forma tem suscitado interesse, a localização tem causado estranheza entre a comunidade científica. Mike Brown, astrónomo que investiga Plutão desde há muito, revelou que “o coração é chamativo, mas, mais importante, é uma grande massa de gelo mesmo no equador, na zona que devia ser mais quente. Ainda estou a tentar perceber o que isto pode significar”.

Nos próximos tempos continuaremos a receber mais notícias do planeta Plutão, reveladas pela sonda New Horizon que, neste momento, segue viagem em direcção aos confins do Sistema Solar rumo à cintura de Kuiper.

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