Quem é O Doutrinador?


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O Doutrinador vai aparecer em exclusivo no Shifter, mas antes disso queremos explicar-te melhor os motivos sociológicos para o aparecimento e sucesso deste herói (ou vilão, depende da perspectiva).

2013 foi um ano repleto de manifestações populares no Brasil. Afinal, foi com milhões de pessoas na rua, um orgulho desenfreado acabado de acordar e uma vontade imensa de mudar o país que tantas pessoas (e tantas vezes) saíram de casa. Quem não se esqueceu de aparecer foi O Doutrinador.

E como é que um personagem que ganha vida na web, se torna o rosto de tantos brasileiros? Porque O Doutrinador, às vezes psicopata, outras vezes vigilante, foi quem tomou medidas mais extremas contra a desordem governamental, a ineficácia face aos problemas do país e a corrupção que fez correr tanta tinta por altura da Copa do Mundo.

E fez isso com tiros, com sangue a correr e com um quadrinho (termos usado no país irmão para comic book) que se tornou um sucesso tremendo. Depois de ter atingido recordes de partilhas no momento mais quente das manifestações, toda a gente estava a falar sobre O Doutrinador.

A imprensa foi avassaladora. O Doutrinador saiu n’O Globo como um símbolo para a indignação brasileira, a Rolling Stone da Argentina destacava-o como uma estrela no país irmão e até a Vocativ, de Nova Iorque, disse que ele era a abordagem decisiva que faltava nas manifestações brasileiras – um Robin Hood contemporâneo.

E nem assim Luciano Cunha, criador e ilustrador da personagem, conseguiu arranjar uma label a sério que tivesse coragem para se associar a’O Doutrinador. E foi por isso mesmo que o lançou de forma independente. O seu esforço foi recebido com uma edição esgotada e com um segundo número acabado de lançar.

Este novo número foi escrito por Marcelo Yuka, tão conhecido nas lides da música quando assinava as suas faixas como O Rappa, e leva O Doutrinador ao mundo da Dark Web. No dia 14 de Julho foi lançado no Rio de Janeiro. E dizem que alguns políticos já estavam a tremer.

E quem trouxe O Doutrinador à vida?

O Doutrinador é apenas uma das várias criações do designer gráfico carioca Luciano Cunha. Viciado em histórias aos quadradinhos desde que leu Jack Kirby e Frank Miller, continua encantado pelo estilo através dos talentos de David Aja, Mike Mignola e Chris Bachalo.

Foi a desigualdade social extrema e a corrupção descarada em tantas esferas do Governo que o levou a que pôr mãos à obra e a idealizar a personagem que a Internet se encarregou de destacar e de acenar contra o regime brasileiro.

Com mais de 20 de anos de carreira, começou a desenhar com Ziraldo, criador do Pererê e do Menino Maluco, no final da década de 80. Já dirigiu arte para diversos meios de comunicação, desde infográficos para jornais diários até ilustrações para agências de publicidade.

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