Razões por que o Milhões de Festa é fixe


O que é o Milhões? Felizmente é uma pergunta que já não se ouve com a mesma regularidade. O Milhões de Festa, tem vindo, desde 2010, a afirmar-se como um dos melhores festivais de música alternativa em Portugal e, provavelmente, é o mai diferente.

Existem vários argumentos fortes para ir este ano (ou noutro ano qualquer).

Ética independente

A promotora organizadora do Milhões de Festa percorreu um longo caminho desde a sua fundação. Este colectivo, que celebra este ano o seu 10º aniversário, é, neste momento, um dos pilares da música alternativa em Portugal. E, apesar do seu crescimento notável, manteve saudável a sua ética faz-tu-mesmo. São a prova que esta não é sinónimo de amadorismo, fazendo-o com grande profissionalismo, elevada capacidade organizacional e, também, muita simpatia.

Estes factores, aliados ao bom-gosto, são a formula do seu sucesso. Hoje em dia a Lovers & Lollypops é responsável pela organização de inúmeros concertos anualmente, eventos como o  o “XX Vinte 20” no Porto, Guimarães e Lisboa, ou o Tremor em Ponta Delgada, e a curadoria de palco no SWR Barroselas Metal Fest. Ecléticos, energéticos e eficientes, cultivaram o seu sucesso através do trabalho árduo e da criatividade; e os próximos pontos são reflexo disso mesmo.

Para além disso, é um evento focado na música e, tal como o nome indica, na festa. Tem patrocínios mas não tem barracas de marcas. Não tem publicidade agressiva. Focam-se no que faz um festival verdadeiramente memorável e especial. Os momentos e a música.

Para além disso os preços são ridiculamente baratos. Começaram a 50 euros, para os primeiros compradores, e agora estão a 70.

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O Ambiente

“Bandas? Nem sei. Vou mais pelo ambiente”. É uma frase clássica das pessoas que, em vez de alugar uma casa, vão passar as férias acampados em festivais. A verdade é que a natureza intima e próxima do festival resulta bastante bem. Se estás farto de ouvir o que o pessoal diz de como o Paredes de Coura era antigamente, este é o festival certo para ti.

Palco Taina

É de borla. Sim, gratuito. Não se paga nada. Mas só no Palco Taina, calma, não é o festival todo. É com este palco que o festival abre portas, na recepção aos Milhionários (como são carinhosamente tratados os visitantes deste festival). É, de resto, o único dia com concertos à noite neste palco. Nos outros dias tem a tarefa de competir, de tarde, com outr… que tem uma piscina. Com o calor que costuma fazer é mais complicado, mas a luta faz-se com boa música e boa comida:  Porco no espeto, Arroz Pica no Chão, Hot Chilli, Rancho à la Taina, Bifanas, Rojõezinhos, Chouriço Assado, Pimentos ou Tripinha Frita. Isto são apenas algumas das coisas deliciosas que podemos comer por lá. Se fores vegetariano não te preocupes, há vários pratos para ti também. Para além disto a oportunidade de levar para casa uma caneca de barro do Milhões de Festa. E tudo isto, enquanto temos ouvimos os frutos da curadoria da Monkey Week, do SWR Barroselas ou da Favela Discos.

A comida

Sim, eu gosto muito de comida. E tu provavelmente também. E a questão é que a boa comida não está só no Palco Taina. Está pelo recinto todo. E está também por Barcelos onde é geralmente estupidamente barata. Os mais famosos são, provavelmente, o Xano e o Xispes. Do primeiro recomendam-se as moelas (menos de dois euros) e no segundo os panadões, que são maiores que a vossa cabeça. E para além disso há muitos mais, como o Escondidinho (onde almoçar é mais barato que uma cerveja numa discoteca), o Restaurante Alcaide e muitos outros prontos a serem descobertos por ti. Não há Zomato portanto a aventura será maior.

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A Piscina (Ou, o Palco Red Bull City Gang)

Sim, há festivais que têm sítios para dar mergulhos como rios ou canais. Mas não há muitos em que esse sítio seja também um palco, onde há concertos de bandas do cartaz. A curadoria deste palco é da Red Bull e este ano conta com nomes como o Al Lover, o Matias Aguayo, os Pista ou o Branko (Buraka Som Sistema). E sim, os concertos são junto à piscina, enquanto as pessoas dão mergulhos, dançam ou apanham sol. É bonito de se ver.

Os Thug Unicorn, em 2014, no Palco Red Bull City Gang:

Milhões de bandas

O Milhões de Festa é um festival imprevisivel, onde temos de ir sobretudo para conhecer. Se costumas ir a festivais ver só as bandas que conheces, experimenta um em que não conheces muitas delas. E, vai valer a pena, acredita. Já é conhecido o talento da organização por serem os primeiros a apostar em muitas bandas, que nem sequer eram muito conhecidas até pisarem o palco do Milhões. Alt-J, Toro Y Moi ou Cristal Fighters, são os maiores exemplo disso. Ou seja, alguma destas bandas do cartaz de 2015, estará muito provavelmente no Optimus Alive ou Super Rock. E tu vais ser o primeiro a vê-las ao vivo.

Mas o mérito do festival não se define apenas por esta curadoria pioneira, mas também pela aposta em múltiplos géneros músicais. Desde pop ao metal ou sludge, da música de dança a cenas psicadélicas. Se conseguires dizer o nome do género e for interessante, é provável que lá esteja. E basta ver alguns dos nomes grandes que por lá já passaram, para além dos que já mencionámos, para perceber que isto é verdade: Connan Mockasin, Washed Out, The Fall, El Guincho, EyeHateGod, Mikki Blanco ou Shangaan Electro.

Para além dos dois palcos que já falámos também temos o Palco Milhões e o Palco Vodafone FM. Este ano há bastante nomes que não podes perder:

Os Afters

Depois do Milhões de Festas fechar portas, depois das 4 da manhã, ainda podes continuar a festejar. Não, não há mais nenhum evento oficial depois dessa hora. Mas, basta ires para a zona que separa Barcelos e Barcelinhos, e tens festa pelo menos até às dez da manhã. Mas, se calhar é um pouco tarde, visto que a essa altura está a abrir a piscina.

No dia seguinte, é fazer tudo outra vez.

(fotos: Nuno Diogo)

Texto de Pedro Paulos