Solanezumab: uma arma de futuro contra o Alzheimer


Investigadores do laboratório Eli Lilley mostram-se bastante animados com os primeiros resultados deste novo medicamento que promete ser uma arma de futuro no combate à doença de Alzheimer.

A doença de Alzheimer é a principal forma de demência, afectando 36 milhões de pessoas em todo o Mundo. A doença aumenta exponencialmente com o aumento de idade (30% das pessoas com mais de 80 anos têm Alzheimer) e estima-se que, com o aumento da esperança média de vida, 1 em cada 85 pessoas em 2050 seja afectada. Uma verdadeira epidemia com implicações sociais graves decorrentes da perda de capacidades cognitivas dos doentes.

Os medicamentos existentes no mercado têm resultados moderados, dirigindo-se apenas ao combate dos principais sintomas. Durante anos os investigadores lutaram para encontrar um fármaco que conseguisse ir mais além e actuar directamente na raiz do problema, intervindo ao nível da causa ao invés de tentar controlar os sintomas. E parece que estamos mais próximos desse objectivo, pelo menos a julgar pelo entusiasmo suscitado na equipa de investigação da Eli Lilley que andou a trabalhar nos últimos anos num fármaco.

O medicamento em foco tem de seu nome solanezumab e actua sobre as placas de beta-amilóide que se acumulam nos neurónios de algumas regiões cerebrais específicas, nomeadamente o hipocampo e o nucleo basal de Meyenert. A acumulação de proteínas amilóide nas células neuronais é um dos principais mecanismos fisiopatológicos subjacentes à doença de Alzheimer, sendo que o solanezumab (um anticorpo monoclonal) ataca e impede a ligação destes compostos proteicos.

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Todavia a história do solanezumab foi feita de altos e baixo. Em 2012 o primeiro ensaio no qual esteve envolvido terminou com resultados desapontantes. Mas uma análise cuidada posterior revelou que os doentes com formas mais moderadas da doença que tinham tomado solanezumab mostravam melhores resultados nos testes de funções cognitivas, um declínio 30% mais lento quando comparado com os doentes do grupo placebo.

Em face disto a empresa farmacêutica decidiu estender o ensaio mais algum tempo, de modo a analisar melhor quais os efeitos reais do solanezumab sobre os doentes com formas de doença moderada. Para isso decidiram incluir todos os doentes neste estadio no estudo, tendo sido dado a todos (mesmo àqueles que antes estavam no grupo placebo) o fármaco em questão.

Os resultados da segunda fase do estudo foram apresentados no passado dia 22 de julho na conferência da Associação Internacional de Alzheimer e vieram confirmar a eficácia do solanezumab. Os investigadores verificaram que os doentes que na primeira fase tinham tomado solanezumab mostravam um declíno mais lento da sua função cognitiva. Os doentes do grupo placebo, apesar de mostrarem melhores resultados nos testes após começarem a tomar o solanezumab, não chegaram a igualar os resultados do outro grupo, sugerindo que o fármaco tenha um efeito sobre a história natural da doença e não sobre os sintomas (se fosse este o caso, era expectável que ambos os grupos se equivalessem).

Os resultados deste estudo vêm dar um novo alento na busca de uma cura ou de pelo menos um tratamento mais eficaz da doença de Alzheimer. Por agora o medicamento vai entrar num novo estudo, cujos resultados serão divulgados daqui a 18 meses. Apesar de ainda ter que entrar num novo estudo demorar alguns anos até o solanezumab entrar no mercado, os médicos olham com entusiasmo para este fármaco. Richard Morris, professor de neurociência na Universidade de Edinburgo declarou-se “cautelosamente optismista”. “Da perspectiva do público, eles também deveriam estar assim. Isto não é um estudo em animais, é um estudo em pessoas e isso é significativo.”