Vhils imortalizou rosto de Amália no chão de Alfama


Amália pertence à cultura portuguesa, ao fado e à desgarrada, à tradição. Agora, Amália também faz parte da arte contemporânea, pertence à família do graffiti e “dá” a silhueta à mais recente criação de Alexandre Farto, artista que já tão bem conhecemos e que assina como Vhils.

A incursão da imagem da fadista na obra contemporânea de Vhils está em tudo ligada à música. A convite da editora Universal Music, o realizador português Ruben Alves reuniu alguns dos grandes nomes do panorama do fado coetâneo nacional como Ana Moura, Gisela João, Camané, Carminho e António Zambujo, para darem voz às músicas que a grande Amália, noutros tempos, tão bem cantava.

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Vhils foi então convidado a recriar a representação de Amália Rodrigues na típica calçada portuguesa, numa qualquer rua da tão típica e alfacinha Alfama. O artista em cooperação com os calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa, recriou a imagem da musa do fado, que irá agora servir da capa ao álbum de Alves, que já tem nome: Amália, as Vozes do Fado.

A obra demorou cerca de 2 meses a estar concluída e foi, no passado dia 2 do presente mês de Julho, inaugurada. A vereadora da cultura, Catarina Vaz Pinto, fez as honras e apresentou a Alfama o rosto de Amália, que mora agora, não só no espírito do bairro, mas também nas pedras das suas ruas.

O realizador do álbum contou ao Público que “a parede é importante porque transpira todas as nossas memórias e guarda a emoção do fado cantado na rua”. Vhils tatuou a “pele” de Lisboa a preto e branco, a calçada e a fado.

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(fotos: João Porfírio / Shifter)