As leituras de Verão de Barack Obama


President Barack Obama delivers remarks on the verdict in the George Zimmerman trial for the killing of Trayvon Martin, in the James S. Brady Press Briefing Room of the White House, July 19, 2013. (Official White House Photo by Chuck Kennedy)

O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, está a saborear os seus merecidos 16 dias de férias e já partilhou a sua lista de leituras de verão. O presidente, que ainda antes de ser presidente da América já tinha escrito dois best-sellers – e escritos por Obama mesmo, o que lhe dá mérito literário num momento em que ghostwriter é a palavra de ordem – apresenta-nos seis livros. Tem um gosto ecléctico e a lista é composta pelos títulos seguintes:

 

“Washington” – A Life de Ron Chernow

Um presidente da América a ler uma biografia sobre o primeiro presidente da América. Patriótico.

 

“Between the World and Me” – de Ta-Nehisi Coates

A análise não ficcional de Ta-Nehisi Coates sobre as complicadas relações racionais norte-americanas, que esteve em destaque nas últimas edições do programa de Jon Stewart.

 

All the Light We Cannot See” – de Anthony Doerr

O vencedor do prémio Pulitzer de 2014. Passado em França durante a Segunda Guerra Mundial, conta a história de uma rapariga francesa cega e do rapaz alemão que se cruza no seu caminho. Está a ser adaptado para cinema pela Fox Searchlight.

 

The Sixth Extinction” – de Elizabeth Kolbert

 

Este livro, não ficção, de 2014, conta-nos como a história da terra tem sido marcada pelas extinções em massa, garantindo-nos que estamos a viver neste momento o sexto momento de extinções.

 

The Lowland” – de Jhumpa Lahiri

Shortlist do Prémio Booker, esta é a história de dois irmãos de Calcutá. Enquanto um se envolve no movimento Naxalite, as guerrilhas comunistas da Índia, o outro emigra para os Estados Unidos da América. O livro conta-nos o que acontece a cada um.

 

 “All That Is” – de James Salter

James Salter morreu no passado mês de Junho e Obama está a relembrar o autor através da leitura do seu último romance. A história fala-nos de uma vida à beira da mudança, a de um homem que depois de combater em Okinawa e alcançar sucesso literário, descobre que o que mais importa é o amor.

 

É inegável que esta lista é um produto de relações-públicas, ou melhor, é muito difícil de acreditar que Obama tenha escolhidos os seguintes livros sem pensar no significado que cada um deles tem para o grande público. Afinal, esta é uma lista de escritores americanos, não há espaço para nenhuma outra nacionalidade, e parece correr alguns dos problemas para a qual o presidente sempre apontou e tornou seus alvos.

Há ainda uma noção de mérito literário que carrega nas suas escolhas, um livro que foi anunciado para Booker, o livro que ganhou o Pulitzer do ano passado. Será que Obama está preocupado com o que vamos pensar das escolhas dele e é por isso que parece tão self-conscious? Ou é mesmo um ávido leitor, certamente mais que Bush que pouco ou nada lia e que preferia policiais a grandes tomos reputados.

Notamos que dois dos livros se focam na Segunda Guerra Mundial, efeméride em destaque durante este segundo mandato de Obama e de uma importância histórica para as relações diplomáticos no ano passado. Aparte deste tema, também são exploradas as raças, a emigração para os Estados Unidos e o futuro da humanidade. Uma lista que o The Guardian considerou algo pretensiosa, mas onde vemos o último presidente da América a ler sobre o primeiro. Será que já está a pensar na reforma?