14 demos dos Nirvana que apareceram misteriosamente na net e que podes ouvir agora


Aberdeen, olhos azuis, cabelo loiro, canhoto, de guitarra na mão. Voz rouca, heroína, roupa gasta, Seattle, heroína, álcool, casamento, filha, Los Angeles reabilitação, Seattle, heroína, 1994, fim. Se pudéssemos desacelerar a vida de Kurt Cobain e desviar a cortina vermelha, não haveria pósteres brilhantes, nem capas de revista, nem performances de TV limpas, nem concertos segundo a lei, por detrás daquele palco escuro.

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Cobain foi, à semelhança de outros nomes como Hendrix ou Morrison, um nome ímpar na música. E sim, seria demasiado redutor juntá-los unicamente pela atracção que tinham por drogas ou pela idade da morte. A justiça aqui é mesmo feita pela música que de uma maneira ou outra escreveram. Hendrix escreveu-a com os dedos e a língua nas cordas, Cobain e Morrison com os olhos no papel.

Mas uma banda nunca seria banda sem alguém que manuseasse as linhas do espectáculo e isso, coube aos outros dois marionetistas que o acompanhavam; Krist Novoselic, baixista e amigo desde os tempos de Aberdeen e Dave Grohl, o baterista que em 1990 surgiu por acaso, apresentado por Buzz Osborne dos Melvins.

Os Nirvana são a história de um grupo que se tornou numa família disfuncional à sua maneira. Nunca antes na história da música alguém tinha retratado tão bem e de forma tão singular o grito de uma geração. O mundo estava a recuperar dos excessos cometidos nos anos 80. O movimento disco tinha morrido, David Bowie passou a ser mais um. Os Beatles desapareceram. Raiva, alienação, a fractura. Acabavam-se as roupas coloridas, os sorrisos da pop, ficava para trás a morte de Freddy Mercury.

Agora as regras tinham mudado. O contentamento, a dormência, tudo aglomerado numa ideia de pertença que começava a formar-se. Cada um por si e os Nirvana por todos. Cobain foi a fita-cola que uniu as gerações rasgadas de 70 a 80. Os óculos escuros e os fatos-de-treino davam lugar às camisas de flanela, aos All Star, às calças rasgadas. O mundo ia aceitando a geração grunge com a ajuda de nomes como Temple Of The Dog, Alice In Chains ou Soundgarden.

O trágico fim da banda em 1994 precipitou o estilo para outros caminhos mas, no entretanto, os Nirvana permaneceram como uma das bandas mais marcantes da história da música. A prova disso é a entrada no Rock n’ Roll Hall Of Fame em 2014, dez anos depois da morte de Cobain.

Agora, um ano depois do acontecimento, surge algo totalmente inesperado. Um conjunto de 17 músicas (das quais apenas algumas estão disponíveis), totalmente novo, entre mixes e demos, apareceu na internet. Foi através de alguns usuários de Reddit (e via Stereogum) que as faixas foram dadas a conhecer ao mundo. Relativamente à fonte deste material, a origem é ainda incerta.

Em relação ao que foi disponibilizado, existem alguns takes extra da faixa “Sappy” na versão Sound City Sessions, um novo mix da “Verse Chorus Verse” e duas versões da “Old Age”. A juntar a estas está uma versão de 1993 da “Heart Shaped Box” (que contém um solo de guitarra prolongado), bem como demos da “I Hate Myself and I Want to Die” e da “Scentless Apprentice.

Entre outras que entretanto se perderam, há ainda uma versão alternativa do cover dos Velvet Underground “Here She Comes Now”. As faixas tinham sido disponibilizadas no Youtube durante dois dias mas, devido a regras de copyright, foram retiradas. Os ficheiros audio que sobreviveram à queixa de direitos de propriedade estão agora disponíveis na plataforma Soundcloud prontos para ser ouvidos.