Dr. Dre – ‘Compton’


Dr Dre Compton album
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Esta semana, no dia 7 de Agosto, Dr. Dre lançou o seu novo e último disco, “Compton: The Soundtrack”.

Nestes 16 anos desde que o último álbum foi lançado (2001), Dre foi aumentando, ao longo do tempo, as expectativas sobre um álbum que acabou por nunca ser lançado. Sendo anunciado em 2002, o agora mítico “Detox” recebeu ao longo dos anos um nível astronómico de hype devido aos seus rumores de produção e, aliado ao facto de ser o indivíduo com maior income do hip hop, ultrapassava qualquer barreira mediática.

Em vez disso, o rapper e produtor anunciou “Compton: The Soundtrack” (produzido ao mesmo tempo que o filme Straight Outta Compton), deixando por terra a ideia que um álbum de seu nome Detox iria ser lançado. Este último trabalho de Dr. Dre foi visto pelos fãs e social media como algo arrebatador, mas caso não fosse tão positivo como achavam que iria ser, podia ser uma receita certa para a desilusão.

Quando temos uma figura mundial do hip hop, tal como Dre, a criar o seu último projecto, mas em que só possui uma faixa a solo, algo de errado se passa. Ao grande estilo de Dr. Dre, 15 das 16 faixas possuem colaborações do passado, presente e das próximas estrelas da West Coast – desde ícones como Snoop Dogg e Ice Cube até aos protegidos como Kendrick Lamar e Eminem. Também tem aparições de novos rappers e producers, como King Mez (rapper/produtor) que possui créditos em quase todas as faixas de Compton. Kendrick participa em três faixas (Genocide, Darkside Gone e Deep Water) e os seus versos matam os beats como já é usual, mas deixa-nos a pensar no porquê de participar três vezes no mesmo álbum, quando podia dar lugar a outros rappers de igual renome, tornando o disco mais versátil.

Até DJ Premier co-produziu a faixa “Animals” que, felizmente, é uma brisa de nostalgia e sonoridade que é explicada pelo estilo inigualável de Primo e aliada a uma temática sobre o racismo e brutalidade sentida nas ruas de Compton.

À medida que vamos fazendo “zapping” em cada uma das 16 faixas da LP, apercebemo-nos que se trata de um soundtrack literal com inúmeras participações em cada uma delas – nunca tirando o mérito do perfeccionismo de Dre – mas onde tudo parece apenas uma compilação de singles produzidos meticulosamente, onde muitas vezes não se consegue perceber à primeira audição onde se encontra a voz e ghostwriting flow do rapper.

O álbum encerra com a única faixa a solo, “Talking To My Diary” onde o tema passa pelas suas memórias e onde diz que o seu amor pela música não desapareceu, num beat que transpira West Coast.

Dr. Dre criou algo que não é bom nem é mau, algumas vezes pode até estar na corda bamba, mas depois de N.W.A, dois álbuns a solo, ter produzido álbuns emblemáticos como Doggystyle, The Marshall Mathers LP ou até mesmo good kid m.A.A.d city, poderia ter criado algo transcendente para finalizar a sua carreira de, pelo menos, rapper. Ao invés do que se esperava criou um álbum que não pode ser aclamado de clássico, mas sim rotulado de comercial ou tematicamente superficial.

Apesar de tudo, Dre é uma das pessoas mais influentes no mundo do hip hop até hoje, sendo que nunca lhe vamos tirar o mérito merecido e conquistado pela sua contribuição para a industria, mas os fãs pediam mais do rapper de Compton, mais do símbolo da West Coast.

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