Espécie ameaçada vê nascer novas crias graças a material de genético de dador morto há mais de 20 anos.


Uma espécie animal quase extinta, a doninha de patas negras (black-foot ferret) ganhou um novo alento na perspectiva de sobrevivência e manutenção da espécie. Tudo graças a material genético recolhido de um macho da espécie, morto há mais de 20 anos atrás.

Uma equipa de conservação da qual fazem parte elementos do Instituto Smithsonian (SCBI) e do Lincoln Park Zoo, deu um passo importante na conservação desta espécie ao utilizar o material genético de um macho, o Scarface, que havia sido crio-conservado nos últimos 20 anos, e com o qual inseminaram várias fêmeas. O resultado são oito novas doninhas, uma muito bem-vinda e aguardada chegada a uma poulação que apenas tem 300 elementos em todo o Mundo.

Esta espécie de doninhas foi identificada pela primeira vez em 1851 mas o século seguinte assistiu ao declínio acentuado dos seus números. Tanto as doninhas como as suas presas, os cães da pradaria, foram destroçados por uma praga bacteriana, transmitida através de um mosquito. Em 1979 julgou-se que a espécie estivesse extinta mas em 1984 identificou-se uma pequena comunidade remanescente no estado do Wyoming. A população pouco tem crescido desde então, mas, com a chegada de oito crias ganha um novo fôlego na luta pela recuperação.

A experiência é revolucionária, na medida em que, pela primeira vez, se utilizou material genético conservado durante décadas e que foi inseminado em doninhas fêmeas durante o seu período reprodutivo. Além disso, ao utilizar espermatozóides de um animal morto há muito, introduz um dado importante em todo este processo: diversidade genética.

No início do programa de conservação utilizou-se amostras genéticas de machos vivos. Apesar de mais fácil, o processo não se mostrou particularmente satisfatório. Por se tratar de uma população bastante pequena e fechada, os cientistas, ao analisar os embriões resultantes, aperceberam-se de algumas deficiências causadas pela falta de diversidade genética. Problema este que foi ultrapassado quando se utilizou o material de Scarface, conservado durante todo este tempo.

“O nosso estudo é o primeiro a fornecer evidência experimental de que a inseminação artificial com espermatozóides conservados por muito tempo não só é possível como é também benéfica para a diversidade genética da espécie ameaçada.” revelou David Wildt, autor principal e chefe do Center for Species Survival no Instituto Smithsonian.

Este exemplo pode agora ser reproduzido em outras espécies que também enfrentem risco de extinção. O sucesso alcançado com o nascimento de oito crias e a diversidade genética benéfica à conservação da espécie são argumentos de peso para que esta técnica seja aplicada. “Os nossos resultados mostram quão importante é conservar esperma e outros biomateriais de espécies em vias de extinção ao longo do tempo. Estas amostras de biodiversidade serão inestimáveis para o futuro esforço de conservação animal.” disse Paul Marinari, curador do SCBI, citado pelo CNET.