Oh LG G Flex 2, mostra-nos essas curvas


 
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Houve várias coisas que não correram bem com o primeiro G Flex. Os botões na traseira receberam uma aceitação positiva, assim como a curva do equipamento, mas alguns pequenos grandes detalhes como a falta de qualidade da tela e o seu tamanho excessivo acabaram por limitar o grande sucesso que poderia ter atingido. Mais de um ano depois, a LG escutou as críticas e corrigiu aquilo que tinha corrigir: nasceu o LG G Flex 2.

Claro, houve elementos que se mantiveram, e a curva, bem como a capa que se auto-regenera, está e estará sempre lá – dando autenticidade ao símbolo “Flex” –, mas será que as alterações feitas serviram para elevar a fasquia do smartphone? Depois de uma semana de testes, eis o que concluímos:

O (maravilhoso) ecrã

Os números dizem-nos que estamos a lidar com uma tela de 5,5 polegadas com resolução Full HD, de 1080×1920 pixels. Não é muito normal vermos o segundo modelo de uma linha de smartphones chegar com um tamanho inferior de ecrã, mas a redução de meia polegada que a LG aplicou era necessária. E foi muito, muito bem-vinda.

A qualidade do ecrã é fantástica, e a LG quis demonstrar isso mesmo ao dar opções de wallpaper bastante coloridas. As cores parece que saltam do ecrã e, mesmo que não tenha nenhuma mensagem para enviar ou vídeo para assistir, dá vontade de andar a “passear” pela lista de aplicações ou pelo ecrã inicial só para olhar para aquela tela. No que à durabilidade diz respeito, o Gorilla Glass 3 oferece protecção suficiente contra as moedas e as chaves que andam no bolso, por isso é de esperar um ecrã intacto durante bastante tempo.

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Os botões na traseira: weird or not?

Com um design tão pouco comum e uma espessura um tanto quanto0 reduzida – 9,4 milímetros, mais fino nas bordas –, houve alterações que tiveram de ser feitas à linha G Flex. Mas se há quem olhe para os botões na traseira como uma solução, nós olhamos para os botões como uma inovação. O botão de power é o único que sobressai do resto do equipamento e mesmo assim não é o suficiente para incomodar, mas sim para ser mais fácil de identificar. E para um equipamento com um tamanho considerável, fica mais fácil carregar nos botões que estão na parte traseira do que num botão em cima ou de lado.

Uma mudança que se verifica quando se compara o LG G Flex com o seu irmão mais novo é a posição desses mesmo botões – aliás, os únicos botões disponíveis no equipamento. Na versão de 2013, a tecla de volume up estava praticamente colada à lente da câmara. O resultado? Dedadas e mais dedadas no vidro que afectavam a qualidade das fotografias. Desta vez, a LG desceu um pouco os botões e com isso resolveu mais um problema.

Hardware: de fora para dentro

A parte exterior do G Flex 2 dá sensações mistas. O plástico que cobre o equipamento parece frágil e dá a sensação de que, numa queda, a tampa traseira vai voar para um lado e a bateria para outro. Mas a tecnologia “self-healing”, estilo Wolverine, terá sido aprimorada para fazer desaparecer de forma ainda mais evidente os pequenos riscos que surjam na parte de trás.

Não testámos esta funcionalidade até ao extremo, mas, sem ter grandes cuidados com o smartphone ao longo da nossa semana de testes, entregámos o equipamento tal e qual como o encontrámos…

No interior do equipamento está um processador Snapdragon 810 e 3 GB de memória RAM que dão conta do recado mais do que bem, não importa quantas aplicações estejam abertas ou que jogo pesado esteja a correr. Aliás, para comprovar isso mesmo, passámos dias e dias sem fechar qualquer app que estivesse em funcionamento em segundo plano e nunca tivemos problemas de fluidez, embora o smartphone tenha bloqueado uma vez, o que nos levou a ter de o reiniciar.

Mas se o G Flex 2 tem uma ótima capacidade de resposta às tarefas mais exigentes do dia-a-dia, isso poderá desvendar aquele que é o seu pior, pior defeito de todos: o sobreaquecimento. É incrível o incómodo que chega a ser pegar no smartphone quando se está a reproduzir vídeos em Full HD ou a jogar FIFA 15 durante mais do que 20 minutos. Mesmo, mesmo incómodo.

Queremos um telemóvel com curvas?

Se o G Flex 2 dá que falar na comunidade geek, esta é a principal razão. Quando chegou aos mercados, em novembro de 2013, o LG G Flex surpreendeu tudo e todos pelo facto de ser aquele que foi considerado o primeiro smartphone realmente curvo a ser lançado (a Samsung tinha feito algumas tentativas uns meses antes). Mais tarde, os youtubers testaram o equipamento e descobriram que este era, de facto, flexível.

Mas afinal, a curva faz assim tanta diferença? Bem… não. Pelo menos não para o propósito que a LG diz – na leitura de textos e visualização de vídeos. Não sentimos qualquer diferença nem notámos sequer a presença de um ecrã curvado enquanto víamos filmes ou líamos notícias no Shifter, já que esse é um diferencial que se nota apenas em grandes ecrãs – quando dizemos grandes, é ao nível de ecrãs de salas de cinema.

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Mas isso não quer dizer que a curva do LG G Flex 2 seja algo dispensável, muito pelo contrário. Com uma tela de 5,5 polegadas, torna-se mais fácil aceder com o polegar à barra de notificações, para além de que a pega com uma só mão é muito mais ergonómica e até mesmo confortável. Para além disso, mal se nota a presença do equipamento nos bolsos das calças, não só pela sua espessura reduzida mas também pelo facto de a curva coincidir com as linhas da perna ou, bem… do rabo. #noshame

Câmara fotográfica

Numa palavra? Rápida. Tirar fotografias com este LG e o seu sensor de 13 MP é tão simples como point & shoot. Nota-se e bem a presença do foco automático a laser, especialmente em objetos mais próximos, e o efeito que causa na qualidade dos retratos durante o dia. Pois à noite o caso muda um pouco de figura. Não conseguimos obter uma fotografia decente em ambientes de pouca luz nem esconder o brilho exagerado que o flash dava aos objetos mais próximos

No que toca a vídeo, o G Flex 2 filma em 4K com estabilização ótica e até mesmo em câmara lenta. Esta última função fica um pouco à quem quando comparado àquilo que o iPhone consegue fazer – especialmente na qualidade da imagem –, mas dá para fazer umas brincadeiras. Ah, e a câmara frontal de 2.1 megapíxeis filma em full HD e tem um modo de retoque que “esconde” todas as impurezas da cara. Venham de lá essas selfies!

Duração da bateria

Não há muito a dizer aqui para além de que dá para um dia completo, mas não mais do que isso. Nos nossos testes, deixámos o 4G ligado o dia todo, acedemos várias veres à internet – email, vídeos, etc. – e às redes sociais. Por volta das 21 horas tínhamos cerca de 15%/20% de bateria restante, algo que pode ainda durar umas boas 6h se ativarmos o modo economizador de energia. Resumindo: se estás constantemente a jogar e a exigir muito do processador, é melhor andares com o carregador atrás de ti.

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Software com surpresas agradáveis

Um dos grandes pesadelos do Android é o facto de cada marca querer sempre “meter o bedelho” no sistema operativo e alterar ícones, menus e até mesmo acrescentar aplicações ao seu próprio agrado. Com o LG G Flex 2 isto não foi exceção, mas de facto havia funcionalidades que faziam um grande sentido.

Claro, nem tudo era extremamente necessário – mudar de canal com o smartphone pode ser uma partida muito gira de se fazer quando se está com amigos, mas não estamos a ver como é que isso facilita a vida de quem tem o comando remoto ao lado no sofá. Mas carregar duas vezes no ecrã para o activar ou outras duas vezes para bloquear o equipamento foi algo tão bem-vindo que demos por nós a experimentar isso inconscientemente em outros dispositivos.

Para quem tem as mãos pequenas, a LG oferece opções de customização à barra de navegação e podes até mesmo acrescentar quatro ou cinco novos botões, dependendo daquilo que melhor se adeque à tua utilização…

Multitasking? Apps flutuantes? Sim, usámos, mas pouco. Acreditamos que poderá dar jeito para ocasiões muito específicas, mas não nos deparamos com nenhuma dessas ocasiões durante a semana de testes.

É bom, mas pode melhorar

Sentimos a falta de algumas opções que poderia cimentar ainda mais este device na lista dos melhores Android no mercado português no momento. Nos extras todos que vinham no software, poderia haver alguma funcionalidade que conferisse às teclas traseiras a opção de ajudarem no scroll down quando, por exemplo, estávamos com o Pocket ou o Instagram aberto. Iria beneficiar (ainda mais) o seu posicionamento.

Outra coisa de que não gostamos foi o armazenamento que os softwares instalados ocupam. Na versão de 16 GB, o utilizador fica com pouco mais de metade disponível para instalar apps e levar consigo conteúdos multimédia. Algo que, apesar de ser já um pouco esperado, não deixa de passar a sensação de que o cliente está a ser enganado.

Regra geral, e apesar de já terem passado uns meses desde o lançamento do G Flex 2, este pode ainda ser considerado como um dos melhores Android que por aí andam. A curva do ecrã não faz a diferença que a LG diz fazer, mas acaba por ter outros fins que não a tornam completamente obsoleta. Aliás, uma coisa da qual nós não falamos é da quantidade de pessoas (raparigas incluídas) que metem conversa contigo se tiveres este equipamento na mão, apenas por não estarem habituadas a verem um smartphone curvo. Para quem é mais tímido este pode ser um ótimo ice breaker!

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