Esta máquina de fazer moléculas pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos


 
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Já todos ouvimos contos clássicos nos quais a sobrevivência de alguém depende de uma erva que apenas cresce no sopé de uma montanha perdida nos recantos mais inacessíveis do Mundo. Encontrar o produto ideal pode nem sempre ser fácil e imediato. Mas e se termos exactamente o produto que desejamos fosse tão fácil como construir e juntar peças LEGO? É essa a ideia que te trazemos de seguida.

Martin Burke, químico da Universidade do Illinois, debruçou-se sobre a questão e parece ter encontrado uma solução: uma impressora 3D molecular. A sua impressora consegue produzir mais de 2100 estruturas diferentes a partir de apenas 12 fragmentos disponíveis no mercado. Além de produzir compostos, a impressora é capaz de juntar vários produtos produzindo super moléculas.

Apelidar a máquina de impressora é, contudo, redutor. A máquina produz as moléculas desejadas mas porque consegue simplificar o complexo processo de síntese química e dividi-lo em vários passos. Esta utiliza blocos básicos (os tais 12 compostos básicos como ponto de partida) que vai juntando através de várias reacções até atingir o produto desejado; as reacções químicas vão ocorrendo no interior da máquina, os resíduos vão sendo eliminados e, no final, temos a molécula pretendida.

Medicamentos tóxicos para o organismo poderiam ser produzidos eliminando as porções responsáveis por esta toxicidade. Um dos exemplos, de acordo com a Wired, trata-se da anfotericina B um anti-fúngico, principal arma contra infecções fúngicas mais graves, mas cuja dosagem está limitada pelos seus efeitos tóxicos. Graças à impressora 3D de Burke, uma empresa de biotecnologia americana, a Revolution Medicines, já começou a desenvolver.

Mas Burke aponta além da Medicina, apostando numa utilidade universal do seu invento em várias áreas. “pequenas moléculas são utilizadas em todos os tipos de tecnologia, desde fornos até fatos espaciais. A minha visão é a de um site onde se possa desenhar uma molécula para ser impressa e depois enviada para ti. Queremos disponibilizar a produção de moléculas para todos.” Um projecto ambicioso e que poderá tornar qualquer um de nós num Walther White à distância de um clique. Para o bem e para o mal.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!