Em que pé está a máquina que transforma fezes em água? Muito bem, diz Bill Gates


 
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Esqueçam a Ásia: o continente do século XXI é África.

A frase é controversa, para dizer o menos. Quem trabalhou em África recusa liminarmente a ideia, baseado no conhecimento do modus operandi dos africanos.

Mas tudo muda — é uma questão da alavanca certa, do estímulo certo. E os estímulos e inputs em África são muitos, são cada vez mais e estão a aumentar. Há a pressão local — uma geração que mandou os filhos estudar fora e estes começam a regressar como advogados, engenheiros, empreendedores — e há as pressões externas.

Plural: não é só a China, apesar do investimento brutal chinês numa grande parte de África, um movimento que se iniciou pouco depois do último estertor do colonialismo europeu, em Angola e Moçambique, e da pacificação da África do Sul.

Convém não esquecer que há cada vez mais recursos exteriores em África. De pessoas — técnicos de todos os tipos, empresários de todos os ramos — ao capital, o maior agente transformador.

E nem todas a pressões e estímulos são, como nos séculos anteriores, motivados pela pura ganância da exploração dos recursos do continente. A ganância está hoje mitigada pela civilização, pelas leis e pela concorrência global. Já se lhe pode chamar “atividade económica”.

E nem toda é orientada ao lucro sob a forma de dinheiro ou poder. Entra em cena o homem mais rico do mundo.

Bill Gates é uma das pessoas que desafia a lógica dos descrentes em África. Um dos projetos mais consistentes e interessantes por ele financiado consiste numa forma de tratar esgotos.

Por um lado, uma sociedade não se pode desenvolver sem tratamento de esgotos. Por outro, por várias razões, a primeira das quais a pressão demográfica (África ultrapassará a Ásia em número de habitantes na segunda metade do século), é simplesmente impossível resolver o problema com o tipo de soluções adotadas — ao longo de séculos — na Europa e Américas.

Só em Dakar, capital do Senegal, 1,2 milhões de pessoas não estão conectados à rede de esgotos. Os moradores são forçados a despejar os resíduos nos seus próprios poços, que esvaziam manualmente.

É realmente perigoso por causa da rápida propagação de agentes patogénicos. Uma maneira melhor é transferir mecanicamente os resíduos por caminhão e tubos para estações de tratamento.

As estações da cidade foram parcialmente substituída pelo processador Omni, no âmbito do projecto-piloto da Fundação Bill e Melinda Gates: cerca de um terço dos resíduos humanos na cidade é processado por essas máquinas, tornando-os não só a água mas também a electricidade e cinzas.

Evidentemente, e sem dúvida em primeiro plano, estará a preocupação humanitária de Gates.

Mas quanto maior for o sucesso do Omni nesta experiência piloto, tanto mais rápida será a sua distribuição pelo Senegal e outros países africanos. Aumentando as oportunidades para África crescer.

Texto: Paulo Querido

Aprofundar

Update: What Ever Happened to the Machine That Turns Feces Into Water? (Bill Gates): The next version of the machine will burn most types of garbage in addition to human waste, and it will be easier to maintain. We also think we have a good business plan. Janicki is discussing the sale of the first JOP to a Senegalese company, and they’re talking to potential buyers in wealthier countries too.

Un ambicioso proyecto de Bill Gates, capaz de salvar a África (RT): Bill Gates está ensayando su proyecto Omni Processor –la máquina que seca y quema excrementos produciendo electricidad y agua potable– en la capital de Senegal. El objetivo prioritario, señala el multimillonario, no es producir más agua, sino “mejorar dramaticamente saneamiento en las ciudades de los países pobres”.

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