FDA aprova medicamento para aumentar desejo sexual feminino


medicamento para aumentar desejo sexual feminino
 
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Addyi é o nome do mais recente fármaco aprovado esta semana pela FDA (Food and Druds Administration). Envolto em alguma polémica, o fármaco comercializado pela Sprout Pharmaceuticals tem gerado igualmente expectativa por ser o primeiro tratamento aprovado para tratar mulheres que sofrem de baixo desejo sexual.

Não é um Viagra feminino

Aquando dos primeiros testes no sentido de aprovar o Addyi para o tratamento da HSDD (hypoactive sexual desire disorder), o medicamento foi rotulado como o Viagra feminino em alusão ao famoso comprimido azul comercializado pela Pfizer que, na década de 90, foi responsável por uma verdadeira revolução sexual entre os homens.

Trata-se, contudo, de uma comparação em nada correspondente à verdade. O Addyi, cujo princípio activo se chama flibanserina actua como agonista dos receptores de serotonina 5-HT1A e antagonista dos receptores 5-HT2A, um mecanismo muito semelhante aos dos anti-depressivos, como o conhecido Prozac. Aliás, a flibanserina foi identificada inicialmente pela Boehringer Ingelheim e trabalhada com o intuito de se tornar num fármaco anti-depressivo mas não mostrou a eficácia desejada nos ensaios clínicos.

Contudo, após analisarem os resultados, os investigadores perceberam um moderado aumento da satisfação sexual nas mulheres que tomaram este composto. Assim sendo, a flibanserina foi repescada pela Sprout Pharmaceuticals e trabalhada no sentido de aumentar o número de relações sexuais satisfatórias em mulheres com baixo desejo sexual.

O Addyi actua a nível dos circuitos cerebrais, aumentando a os neurotransmissores responsáveis pelas sensações de prazer e recompensa. Já o Viagra (sildenafil) é um vasodilatador, um medicamento sem influência sobre o prazer e a libido sexual, mas que permite uma erecção mantida em homens que sofram de disfunção eréctil (não falta de desejo sexual).

Além disso, o comprimido cor-de-rosa Addyi é de toma diária, independentemente da regularidade das relações sexuais, ao contrário do comprimido azul que deve ser tomado apenas antes do acto sexual.

Os resultados polémicos

Tudo parecia concorrer para que o medicamento fosse verdadeiramente um marco da indústria; mas não foi bem assim.

Para começar os efeitos adversos: ao longo dos ensaios clínicos verificou-se que a flibanserina era responsável pela queda abrupta da pressão arterial, sonolência, desmaios (síncope), entre outros, que ocorriam com relativa frequência. Estes efeitos exacerbam-se quando o medicamento é acompanhado de ingestão de bebidas alcoólicas, sendo o seu consumo estritamente proibido durante o tratamento.

“Devido às potenciais interacções graves com o álcool, o tratamento com Addyi só estará disponível com prescrição de profissionais de saúde devidamente certificadas e em certas farmácias”, revelou o dr. Woodcock citado pela FDA.

Outra questão relacionada com o Addyi prende-se com os resultados obtidos nos vários ensaios clínicos. Há sem dúvida eficácia, mas esta é bastante reduzida… A eficácia foi avaliada em três ensaios com duração de 24 semanas, controlados, versus placebo (ou seja metade das mulheres recebeu o medicamento, a outra metade não) que envolveram 2400 mulheres pré-menopáusicas com HSDD previamente diagnosticada. Em média as mulheres que tomaram o Addyi registaram o aumento de 0,5 eventos sexuais satisfatórios por mês quando comparado com as mulheres do grupo placebo e a diminuição do stress relacionado com o acto sexual em 0,3, avaliado por um score próprio.

Os mais críticos e cépticos apontam o facto de os resultados serem manifestamente escassos, ainda para mais tendo em linha de conta os efeitos adversos do medicamento. Mas a média de cerca de mais um evento sexual satisfatório por mês pareceu suficiente não só para a farmacêutica (que, naturalmente, quer ver o dinheiro investido no produto de volta, com a sua comercialização) mas também para a organização de igualdade de direitos Even The Score que usou o argumento de “unmet need”, ou seja, não existindo uma outra alternativa disponível no mercado ou em breve, o Addyi deveria ser aprovado.

O movimento lançou até uma campanha na qual denunciava um potencial sexismo da parte do painel decisor da FDA. Segundo o site da Even The Score, “há 26 fármacos aprovados para a disfunção eréctil masculina, mas nenhum fármaco para a mais frequente queixa sexual feminina [HSDD]”.

Um dos membros do painel e perito em segurança farmacêutica, Tobias Gerhard revelou ao New York Times, as razões por detrás da aprovação: “O unmet need é um argumento tão forte que até para um fármaco com um benefício tão modesto, penso que a aprovação com fortes limitações parece ser o passo correcto nesta altura.”

A realidade é que o medicamento foi aprovado em maioria e começará a ser comercializado em Outubro nos Estados Unidos. Para já, a empresa ainda não tem planos quanto à entrada no mercado na Europa onde teriam que ser realizados mais testes pela Autoridade Europeia do Medicamento para confirmar as alegações da FDA.

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