Estas são as 10 paragens obrigatórias do Vodafone Paredes de Coura


Já muito foi dito sobre aquele que é, para muitos, o melhor festival português. Não existe explicação para o amor que os festivaleiros sentem pelo Paredes de Coura, nem precisa de existir. Há festivais que o são, simplesmente. Sítios onde a música fende por entre as pedras e desenha finos retalhos por onde quer que passe. Sítios onde os ouvidos florescem e o peito estremece e a saudade nos trucida o corpo quando a mala está feita e o regresso agendado.

Naqueles quatro dias já fizemos os 100 metros sereia com os Linda Martini, fomos a guitarra de Kurt Vile, as teclas dos Metronomy, os pratos dos Justice, fomos o coro dos Unknow Mortal Orchestra e de Mac DeMarco e deixámos que James Blake nos levasse às cordas, totalmente rendidos.

Situada no distrito de Viana do Castelo, a vila de Paredes de Coura, que orgulhosamente dá nome ao festival, é um cenário quase terapêutico de água, verde e preto. Os banhos no rio gelado para esquecer o que deixámos para trás, a frescura do anfiteatro natural e o basalto que forra as fachadas e o chão são uma pequena parte do que espera a quem rumar ao norte.

Coura era também, até há pouco, o sítio intermédio entre os pequenos e os grandes festivais. Uma espécie de grande santuário reservado apenas aos verdadeiros amantes da música. Demasiado bom para não ir e certo o suficiente para deixar de fora os selfie sticks e a poluição sonora que os festivais mais a sul começaram a tornar característica.

Mas este ano, por todas estas razões, e pela primeira vez, o Vodafone Paredes de Coura esgotou. É assustador imaginar os efeitos que a trend festivaleira terá naquele que é apelidado de habitat natural da música. Coura não é o festival da pulseira. Não. Coura é uma arma carregada de tudo o que nos faz falta ver durante o ano. Todas as bandas, todas as letras que queremos gritar de frente para o palco acontecem ali. E nós, por cá, damos-te uma pequena amostra do muito que por lá vais apanhar:

The War on Drugs

Nascida na Filadélfia, em 2005, esta é o tipo de guerra que nos interessa. Fruto da amizade entre Adam Granduciel e Kurt Vile, os War on Drugs, agora sem Vile, lançaram-se no mercado em 2008 com o álbum Wangonwheel Blues e trouxeram consigo uma sonoridade que já há muito merecia ser recuperada. Depois da estreia em 2012 no Musicbox, agora é a vez do Paredes de Coura escutar a genialidade de “Under The Pressure”, “Red Eyes” “Disappearing” ou “Burning”.

X-Wife

Do Porto para o mundo, os X-Wife começam finalmente a ganhar o reconhecimento merecido e garantiram mais uma actuação no Vodafone Paredes de Coura. O indie que trazem na mala é viciante e a energia em palco não fica atrás. Depois do primeiro EP em 2003, em 2008 os X-Wife afirmaram-se sem rodeios no circuito nacional com o álbum Are You Ready For The Blackout? de onde podemos ouvir “On The Radio”, “Headlights” e “Fireworks”. Do também recomendável Infectious Affectional de 2011 espera-se ouvir “I Live Abroad”, “Keep on Dancing”, “Little Love” ou “On The Radio”.

Tame Impala

Talvez dos nomes mais aguardados desta edição do festival, os Tame Impala regressam aos palcos portugueses um ano depois da última actuação no Super Bock Super Rock e quatro anos depois da estreia (em 2011, também no SBSR). Kevin Parker trouxe Currents ao mundo em Julho deste ano e esse deverá ser o caminho sonoro dos australianos aquando da actuação dia 20 no palco Vodafone. De esperar: um bom concerto, talvez demasiado curto para quem gosta. A nível de músicas, o que deve ecoar pelo recinto é “Let It Happen”, “‘Cause I’m A Man”, Disciples”, “Eventually”, e, (espera-se), “Nangs”. Para aqueles a quem o novo álbum não foi convincente, é provável que haja clássicos: “Alter Ego”, “Endors Toi” ou “Elephant” podem fazer parte do repertório.

White Fence

Tim Presley é o homem por detrás da vedação branca. O californiano traz na mala psy-rock e lo-fi que chega para nos derreter os ouvidos e transformar em fãs imediatos. Depois da excelente colaboração com Ty Segall em 2012 no álbum Hair, e de For The Recently Found Innocent, o álbum de 2014, Presley está pronto para subir ao palco Vodafone FM e mostrar ao público português o que se pode fazer com uma guitarra e muito talento. Para ouvir: “Easy Rider”, “(I Can’t) Get Around You”, “It Will Never Be” ou “Like That”.

Pond

Ainda na onda psicadélica, os australianos Pond chegam ao Paredes de Coura com Man It Feels Like Space Again, o álbum lançado em Janeiro deste ano, e muita vontade de justificar a critica positiva. A banda que partilhou três membros dos Tame Impala, incluindo o génio Parker, prepara-se para um concerto repleto de vozes e guitarras distorcidas que prometem adocicar o recinto. Obrigatórias ao ouvido: “Sitting Up On Our Crane”, “Elvis’ Flaming Star” e “Man It Feels Like Space Again”.

Ratatat

Do psicadélico para o rock experimental, os norte americanos Ratatat trazem ritmos acelerados e um novo álbum pronto a rodar em palco. Magnifique tem carimbo da XL Recordings (a label de nomes como Gil Scott-Heron, Radiohead, SBTRKT ou Jamie xx) e pérolas como “Cream on Chrome”, “Abrasive” ou “Nightclub Amnesia” para nos fazer bater o pé.

Lykke Li

Da Suécia com amor vem Lykke Li, a princesa nórdica do pop alternativo. Com música tão preenchida como a vida que levou (nasceu em Ystad, mudou-se para Estocolmo, viveu durante cinco anos numa montanha em Portugal, passou por Lisboa, desceu a Marrocos, e passava os invernos no Nepal e na India, até se mudar para Nova Iorque aos 19), Lykke está de volta aos palcos portugueses para uma actuação quase exclusiva, sendo que a cantora, que tinha decidido não tocar este ano em festivais de verão, aceitou o convite do Paredes devido à “coerência e qualidade do cartaz”. Num concerto que não costuma desiludir, “Get Some”, “I Follow Rivers”, “No Rest For The Wicked” e “I Never Learn” vão ouvir-se.

Father John Misty

Joshua Tillman também tem passagem agendada para Portugal e aterra no palco Vodafone dia 20 de Agosto. O músico de Maryland domina o indie e o folk e usa-o sem embaraço no mais recente disco I Love You, Honeybear. A crítica gosta, o público também e, por isso, o concerto merece a nossa atenção. “Hollywood Forever Cemetery Sings”, “Nancy From Now On”, “I Love You Honeybear” ou “Holy Shit” são fáceis de ouvir e fazem bem à alma.

Slowdive

Os britânicos Slowdive não podem nunca passar ao lado de quem vai até ao Paredes. Formados em 89 e interrompidos em 95, ganharam em 2014 novo folgo e juntaram novamente os instrumentos para fazerem aquilo que melhor sabem: música. Daquela que nos faz viajar. Daquela que nos fica na cabeça. Se passarem pelo palco dia 19 de Agosto, apanhem boleia de “When The Sun Hits”, “Sleep”, “Crazy For You” ou “Alison”.

Allah-Las

Directamente de uma qualquer estrada deserta dos Estados Unidos para o norte português, os Allah-Las parecem atirar-nos para dentro de um Dodge Charger no dia mais quente do ano enquanto aquele Lucky Strike sem filtro se vai fumando sozinho. Há bandas que não nos deixam ser pouco criativos. Os Allah-Las são uma delas. É impossível não imaginar cenários quando tudo o que é som se mistura de forma tão incrível. E não, isto não é amor cego, é reconhecimento pelo trabalho que os quatro rapazes de Los Angeles têm vindo a fazer desde 2008. “Vis-A-Vis”, “Tell Me (What’s On Your Mind)” e “Busan’s Holiday” são paragens obrigatórias.

Legendary Tigerman / Mirror People / Holy Nothing / Banda do Mar

Porque um festival nunca está completo sem boas bandas portuguesas, o Paredes de Coura aposta forte no que é nacional e traz-nos nomes que (também) são obrigatórios. É criminoso perder um minuto de Legendary Tigerman dia 20. A subida ao palco dos Mirror People, mais tarde, no palco After Hours também deve valer a pena. O enorme talento dos portuenses Holy Nothing a 22 de Agosto no palco Vodafone FM é uma boa aposta e, finalmente, o português do Brasil pelas vozes de Mallu Magalhães e Marcelo Camelo mistura-se com a bateria do Fred e trazem as melodias da Banda do Mar que não devem desiludir.