Start-ups estão a remover CO2 do ar para criar combustível


Durante os anos de escola foi-nos ensinado que respirávamos oxigénio (O2) e expelíamos dióxido de carbono (CO2) que era posteriormente utilizado pelas plantas para produzir mais oxigénio. Um equilíbrio aparentemente perfeito. Perfeito até a Humanidade ter aumentado brutalmente de número, ter iniciado a combustão de combustíveis fósseis e, no meio de tudo isto, ter desflorestado uma parte significativa do planeta. E as consequências para o ambiente e para o clima não demoraram a fazer-se sentir.

Mas e se conseguíssemos replicar este processo de utilização do dióxido de carbono em excesso na atmosfera e transformá-lo em energia? É esse precisamente o projecto de três empresas.

A Carbon Engineering, uma empresa sedeada em Vancouver, Canadá, e parcialmente financiada por nada menos que Bill Gates, é uma das que tem apostado neste método e pretende instalar estas “árvores artificiais” em locais onde é impossível o crescimento de flora como nos árticos ou em vastas superfícies áridas. O aparelho reciclador de dióxido de carbono combinará o gás com hidrogénio proveniente de uma molécula de água com o objectivo de formar compostos hidrocarbonados a ser utilizados como combustível.

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O objectivo passa assim não só por dimiuir a quantidade de CO2 atmosférico mas também por produzir combustível amigo do ambiente para juntar às fontes de energia alternativas que já possuímos. Geoff Holmes, engenheiro na Carbon Engineering, numa entrevista ao The Guardian abordou isto mesmo e a importância que um combustível deste género teria no futuro: “Como é que vamos alimentar os transportes dentro de 20 anos de uma maneira que não seja prejudicial ao ambiente? A energia solar e eólica são óptimas para reduzir as emissões da electricidade. Mas depois falta tratar do sector dos transportes.”

A par da Carbon Engineering, outras duas empresas têm trabalhado para o mesmo fim. A Global Thermostat, sedeada em Nova Iorque e liderada por Peter Eisenberg, professor da Universidade de Columbia e a Climewoks, uma empresa suíça financiada por um projecto da Audi que já iniciou trabalhos em pequena escala. Todas estas três empresas têm em comum o facto de terem surgido no início do século, momento em que as alterações climáticas entraram definitivamente na agenda pública e culminaram com a ratificação do Protocolo de Quioto (por quase todos os países com a notável excepção dos EUA). 10 anos depois os progressos nesta área ficam aquém do desejado. E durante este período estas empresas têm-se empenhado em refinar a sua tecnologia e a construir máquinas efectivamente capazes de captar e processar CO2.

Contudo, por mais apelativo que o processo de captar CO2 e produzir combustível seja, há um grande entrave: por ora não é economicamente viável. E governos e empresas de todo o mundo não estão interessados numa fonte energética não rentável por mais benéfica que seja para o ambiente.

Por exemplo, o sistema da canadiana Carbon Engineering consegue captar apenas 450 toneladas de CO2 por ano, o que corresponde às emissões anuais de 33 canadianos normais. Contudo, a empresa acredita que, com investimento, o sistema pode ser ampliado a uma capacidade 20 000 vezes superior, tornando-se numa verdadeira alternativa.

A comunidade científica está convencida de que o processo de captação de CO2 livre é uma das fontes de energia do futuro, aliando a remoção do gás da atmosfera à criação de um combustível bastante mais limpo. Noah Deich, que recentemente lançou em Berkeley o Center for Carbon Removal declarou que “estou de facto entusiasmado relativamente ao sistema de captura directa [de CO2] do ar. Pode ser realmente uma tecnologia importante para adicionar ao portefolio”

Os projectos das três start-ups parecem sem dúvida promissores, agora resta saber quem irá investir nestas máquinas captadoras e conversoras de CO2. O potencial está lá, falta somente o dinheiro (e fundamentalmente a vontade) de arrancar com estes aparelhos em larga a escala e dizer olá a um futuro mais sustentável.