Como o Tate Modern recuperou um Rothko vandalizado


 
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Foi um processo deliberadamente lento, mas dezoito meses depois da vandalização ao Black on Maroon de Mark Rothko, a restauração foi conseguida com sucesso. Isto depois de uma vandalização com tinta de spray, após um aspirante de artista chamado Wlodzimierz Umaniec ter desfigurado a peça ao escrever o seu nome, para espalhar a sua corrente chamada yellowism.

Foi enquanto cumpria os seus dois anos de prisão a que foi sentenciado que a restauração foi acabada. O trabalho de Rothko já voltou a ser exposto junto com outros quadros da série Seagram Murals. O director do Tate, Sir Nicholas Serota, disse que esta recuperação “foi mais bem sucedida do que algum de nós esperava que fosse”.

Serota lembra-se perfeitamente do Domingo em Outubro de 2012 em que lhe ligaram a dizer que alguém tinha saltado a barreira e vandalizado uma das peças mais icónicas e valiosas da colecção (o último Rothko vendido alcançou quase 50 milhões em leilão e não era tão relevante como os quadros desta série). “Ouvir dizer que algo tão importante foi destruído… é uma emoção chocante, um sentimento de enjoo, sobretudo porque não tínhamos ideia se seria possível restaurar ou não.”

 

 

Defaced Rothko

 

Avisou logo a equipa de restauração do Tate de que este era uma projecto para levar sem pressas. Demonstrou confiança na sua equipa, até porque sabia que todos os processos iam demorar e permitir uma recuperação para o mais próximo possível do original. Ainda por cima, “a tinta que ele usou era uma das mais difíceis de apagar que existe. É feita para ser muito preta, muito rápida a secar e com uma grande mancha permanente”, disse Patricia Smithen, chefe de conservação no Tate.

E é claro que o trabalho foi mais complicado pelo próprio Mark Rothko, afinal, os seus quadros não são só tinta a óleo na tela, mas sim diferentes tipos de tinta em camadas finas, deliberadas e sobrepostas. Um processo único e um mistério para reparar. “A superfície é realmente delicada e percebemos que o solvente podia dissolver mesmo a tinta e estragar as diversas camadas do quadrado”, continuou Smithen.

E foi assim que passaram nove meses a recuperar um quadro com o mais delicado cocktail de produtos solventes. Depois chegou a vez de Rachel Barker, com um pincel de tamanho zero, aplicar uma mistura de álcool benzílico e lactato de étilo numa zona minúscula da tela, enquanto toda a gente prestava atenção ao momento maravilhoso em que a tela sobreviveu.

Tate Modern employees rehang Mark Rothko's mural Black on Maroon.

(fotografia: AP) 

Sempre a trabalhar em zonas inferiores a dois milímetros e com um microscópio com um aumento de 20 vezes, Barker lentamente removeu a tinta antes de começar a restaurar os tons exactos da cor do Rothko. O director do Tate já tinha avisado acerca da reinterpretação da peça, era para ficar igual ao original e não para criar nada de novo.

A família do pintor doou uma tela da mesma colecção para ajudar a encontrar a cor correcto e o seu filho, Christopher, disse: “A família Rothko ficou repetidamente impressionada com a dedicação da equipa de conservação do Tate. Encontraram a melhor resolução para uma situação terrível: o trabalho está de novo disponível para ser visto, como o meu pai quereria.”

Para Serota, é importante reforçar a segurança do museu, mas sem o tornar numa prisão de máxima segurança. Foi um episódio quase tão triste como os quadros terem chegado ao Tate no dia do suícidio do pintor em 1969.

O culpado da desfiguração pediu desculpa aos britânicos pelo seu ato, mas só quando foi libertado em Novembro do ano passado é que veio dizer que se arrepende de ter usado um Rothko como tela. Ainda assim, garante que está comprometido com a corrente do Yellowism, mesmo que todos o critiquem. Aliás, o Yellowism ter perdido credibilidade com o seu acto é o que mais lhe custa.

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