Tecnologia tem criado mais emprego do que destruído, diz estudo


Um estudo da consultora Delloitte conclui que a tecnologia tem criado mais emprego do que destruído. Analisando uma série de dados de censos (Inglaterra e País de Gales) que vai de 1871 aos nossos dias, os economistas da Delloite descobriram que o aumento das máquinas tem sido um impulsionador de trabalho e não o contrário.

A tese não é nova. O que o estudo fez foi encontrar novas evidências para a suportar. Recomendamos a leitura do artigo do Guardian porque tem valor informativo e factos. Como a certeza que os trabalhos perigosos, chatos e pesados têm vindo a desaparecer e que há mais empregos nas profissões de caring (saúde e educação) e nos sectores que lidam com a informação e o conhecimento.

a conclusão deve ser aceite com reserva. Os dados servem sempre para afirmar uma coisa e o seu contrário, é uma questão de procurar e realçar os aspetos que queremos reforçar, dando imenso jeito estender as séries temporais, por exemplo. Se recuarmos à criação do fogo, poderemos igualmente concluir — e com uma enorme certeza! — que a tecnologia tem criado mais emprego do que destruído.

Contudo, a narrativa muda quando encurtamos a série. Se olharmos para os dados dos últimos 30 anos — correspondentes à massificação da informática numa escala sem precedentes em nenhuma época e nenhum setor — a conclusão é a oposta.

Isto tudo sem sequer entrar na questão do valor do trabalho.

Texto: Paulo Querido

Aprofundar

Technology has created more jobs than it has destroyed, says 140 years of data (Katie Allen/The Guardian): The Deloitte economists believe that rising incomes have allowed consumers to spend more on personal services, such as grooming. That in turn has driven employment of hairdressers.