Slow movement. Trabalhar menos, trabalhar melhor


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O aceleramento do progresso tecnológico, o imaginário dos computadores e dos robôs, parecia prometer uma maior libertação do homem em relação ao trabalho, mas nem sempre as tecnologias disruptivas conseguem garantir, em simultâneo, progresso e equidade. Tanto podem contribuir para a redução de empregos generalizada, com todas as consequências que daí advêm, como propiciar a melhoria do bem-estar, uma distribuição de rendimentos mais justa e mais tempo para dedicar ao lazer.

A verdade é que a larga maioria sente que trabalha muito, não usufruindo de tanto tempo livre como desejaria. A sua vida é obrigada a girar em torno do emprego. E a crise económica que se perpetua veio agravar em muito este quadro.

À medida que os postos de trabalho reduzem, o mundo parece dividir-se acentuadamente entre os que trabalham de mais, e em condições precárias, e os que simplesmente não têm trabalho.

Se existisse lógica, a carga horária seria racionalizada, de forma a todos termos emprego. Reduzir-se-ia a porção de trabalho individual. Os que já o têm trabalhariam menos. E os que estão no desemprego poderiam aspirar a um posto de trabalho.

Os diferentes movimentos slow surgidos nos últimos anos —slow cities, slow food, slow design, slow travel, slow thinking e tantos outros — direccionam a sua abordagem para áreas específicas, mas no fim de contas todos alertam para a necessidade de abrandamento do mundo moderno, não para regressarmos a formas pré-modernas, mas para reconfigurarmos o presente.

Texto: Vitor Belanciano/Público via Hoje
Foto: João Porfírio/Shifter

Aprofundar

Slow movement: Trabalhar menos. Trabalhar melhor (Vitor Belanciano/Público): A energia dos cidadãos, das comunidades ou dos países não pode ser empregue apenas no crescimento económico, mas na capacidade em distribuir equitativamente a riqueza, o saber, o trabalho, o lazer e o tempo. E isso é slow movement.

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