O que se passa com a TV? Onde andam os millennials?


A indústria televisiva está a transformar-se. Os espetadores, especialmente os mais novos, estão a ver programas de TV de uma forma diferente da geração dos seus pais. Isto significa que as novas gerações consomem televisão através de uma multitude de aparelhos, onde e quando quiserem. Para além dos programas de televisão propriamente ditos, esta geração de millennials também gosta de ver conteúdos criados especificamente para a Internet.

Os investidores parecem estar a chegar a essa conclusão. E isso viu-se com a desvalorização recente de acções de empresas como a Disney, Comcast, ou Time Warner, que valem agora menos 50 mil milhões de dólares.

Os millennials são o público mais apetecido pelas cadeias de televisão. Eles pertencem à faixa etária dos 18-34 anos, a mais valorizada pelos anunciantes. O problema é que houve um declínio de 11% no consumo de televisão por parte desta faixa etária.

A CBS — a cadeia de televisão com maior audiência nos Estados Unidos — fez uma pesquisa para encontrar esses 11%. Não os conseguiram encontrar. Eles não aparecem nas audiências televisivas porque utilizam tablets, nos smartphones, ou serviços de streaming como o Netflix. Meios que não são contemplados pelos sistemas de medição de audiências.

Há quem esteja contente com estes acontecimentos porque significa que os programadores de TV serão forçados a fazer mudanças na forma de fazer negócios. E isso poderá acontecer com formas, como a venda direta canais populares como o ESPN – canal de desporto–- através da Internet, sem obrigar os consumidores a assinar um pacote de cabo com centenas de canais, cuja maioria nunca é vista.

Como é em Portugal? Recuperamos um artigo do jornal Económico, onde se afirma que a maioria de consumidores de TV paga já não assite a emissões em direto, preferindo gravar para ver quando lhes der mais jeito. Existem também uma série pertencentes ao MEO, NOS, Vodafone, e mesmo canais como a RTP, TVI e FOX, que permitem o consumo conteúdos televisivos em qualquer ecrã. A maior transformação poderá acontecer quando o Netflix abrir as portas em Portugal. Estaremos atentos a como corre, e qual será a reacção dos operadores de televisão paga em Portugal.

Texto: Vasco Napoleão

Aprofundar

The Beginning of the End of the TV Industrial Complex (Peter Kafka/Recode): After years of insisting otherwise, investors seem to have decided that the pay TV business is in decline. Last week, triggered by an admission of weakness from Disney and ESPN, Wall Street pounded all of the big media companies, wiping out more than $50 billion in value.

CBS Says Millennials Love TV. It Just Couldn’t Find Them (Dawn Chmielewski/Recode): CBS took a break from showcasing its upcoming fall shows on Monday to the nation’s television critics in Beverly Hills to poke holes in what it described as the “myths” surrounding TV — mostly, that millennials aren’t watching TV.

Wall Street Turns Off TV: How to Fix the Stock Slide (Paul Bond/The Hollywood Reporter): When Walt Disney sneezes, the rest of Hollywood catches a cold. On Aug. 5, Viacom’s stock dropped 8 percent in a single day, even though the conglomerate didn’t do anything. But the day before, Disney, parent of powerhouse ESPN, had warned of slower growth in its media networks business. Over the next three days, roughly $60 billion was stripped from the value of leaders in the entertainment sector as investors panicked over perceived weaknesses in the TV business.

Terrible Week for TV. Great Week for the Future of TV (Peter Kafka/Recode): Wall Street appears to have decided that the TV Industrial Complex, which looked impenetrable for years, is finally crumbling under the weight of declining viewership, ad dollars and, most crucially, subscribers. That means TV programmers, who have successfully resisted changing their business in any fundamental way, may have to start changing.

Consumo de TV em Portugal ao nível dos países mais desenvolvidos do mundo (Rita Paz /Económico): O consumo de televisão em Portugal já é dos mais sofisticados do mundo “equiparado aos EUA, Inglaterra ou Norte da Europa”, disse Rodolfo Correia, responsável pela oferta de TV e media na região Mediterrâneo da Ericsson.