Twitter bloqueia contas que guardavam tweets apagados de políticos


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Cerca de 31 contas que recolhiam e arquivavam os tweet apagados de políticos, diplomatas e embaixadas foram bloqueadas esta semana pelo Twitter. A decisão da rede social em banir o acesso a estas contas aconteceu no seguimento do bloqueio da conta do site Politwoops em junho deste ano, e está a criar alguma polémica perante os mais acérrimos defensores de transparência e responsabilização na política.

Trata-se da velha história da liberdade de informação vs. privacidade dos utilizadores, ou se preferirem, o que é de domínio privado e de domínio público. O Twitter justificou a decisão de bloquear as contas – que diz ter sido submetida a um processo “rigoroso de deliberação interna” – ao afirmar que “apagar um tweet é uma expressão da voz do utilizador”, e que seria “assustador se escrever um tweet fosse algo imutável e irrevogável”. Já aquando o bloqueio do Politwoops US, site que arquiva o historial de tweets apagados dos legisladores norte-americanos, o Twitter tomou uma postura muito semelhante, afirmando que era uma prioridade da empresa “assegurar as expectativas de privacidade de todas as nossas contas”, independentemente do estatuto social ou político que detêm.

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Do outro lado da barricada está a Open State Foundation, responsável pela gestão das contas agora fechadas. Como seria de esperar, a decisão do Twitter foi altamente criticada pelo diretor da fundação, Arjan El Fassed, que defendeu que “tudo o que os políticos dizem em público deveria ser de disponível acesso para todos” e que o que está em causa não é uma questão de “gralhas” ortográficas mas a possibilidade de perceber como é que a mensagem vinculada pelos políticos muda sem darmos conta disso.

Entre as contas bloqueadas pelo Twitter está a versão britânica do Politwoops, que agia sob o nome de conta @deletedbyMPs. Julles Mattson, gestor da conta, foi ainda mais longe nas críticas à decisão do Twitter, começando por dizer que os media sociais estão a ter um papel cada vez mais de peso na política britânica e que o bloqueio lhes nega a oportunidade de alargarem a responsabilização política às plataformas sociais. “Seguir e arquivar tweets apagados de políticos eleitos é inteiramente do domínio de interesse público”, afirmou, referindo ainda que esperava que “o Twitter reconsiderasse a sua decisão com isso em mente”.

Acede à versão norte-americana do Politwoops aqui. Encontras a versão europeia aqui e a portuguesa neste endereço.

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