‘Amy’, uma visita íntima a Amy Winehouse


Amy segura um chupa-chupa na mão e está na festa de 14 anos de uma amiga de infância. É jovem e parece apenas uma adolescente normal, até que a ouvimos cantar os parabéns, a meia voz, com uma simplicidade que nos lembra Marilyn Monroe em “happy birthday to you, Mr. President”, mas que rapidamente nos encaminha para um universo de jazz com Ella Fitzgerald e Tonny Bennett. A voz está lá.

Asaf Kapadia, conhecido por ter realizado Senna, sobre a estrela de Fórmula 1 Ayrton Senna, produziu Amy sobre uma jovem estrela do jazz, que partiu em 2011, quando tinha apenas 27 anos, de intoxicação alcóolica.

A história de Amy Winehouse é a de uma miúda que gosta de jazz e que escreve letras e canções à guitarra para aliviar a dor que sente, não escapando aos corações partidos e ao amor, sempre com uma piada à mistura. E é esta história de fama imprevista e sucesso absorvente de uma rapariga que se considerava apenas música, pois não tinha jeito para ser outra coisa e não considerava haver motivo para estar debaixo do olhar do público.

São 127 minutos absolutamente íntimos, pois Asaf Kapadia, seguindo o formato de Senna, optou por não incluir entrevistas em vídeo e acompanhar as imagens de arquivo com narrações de amigos, familiares e colegas, o que acrescenta a este documentário uma boa dose de autenticidade e nos leva a querer conhecer Amy Winehouse.

As músicas da artista e as suas letras deixam-se interpretar, surgem no ecrã como se fossem manuscritas e acompanham concertos e actuações de Amy de 2003 a 2011.

Não é uma história triste, mas a mudança de casa para Camden e uso de heroína durante o casamento com Blake Fielder-Civil levaram a que a artista não fosse capaz de suportar uma vida de excessos.

Amy estreou em Cannes em Maio e recebeu a atenção dos media e críticas de Mitch Winehouse, pai da artista, que acusa a peça de mostrar a sua filha como este não a conhece. They tried to make me go to rehab, I said no, no, no… E o seu pai pensava que Amy estava bem, quando estávamos todos, na realidade, a vê-la morrer. Mas o público também não aparece bem na pintura. As piadas sobre Amy Winehouse e os seus vícios foram recorrentes, mas depois de vermos este Amy, Rehab não é uma canção com a qual se queira gozar.