Este adesivo “remenda” o coração após um enfarte


coração após um enfarte

Uma equipa de investigadores da Universidade de San Diego e da Universidade de Stanford anunciou ter desenvolvido uma proteína capaz de regenerar células cardíacas mortas, após um enfarte do miocárdio. Além disso, os investigadores testaram o produto em ratos e porcos após o enfarte e perceberam que este promovia uma melhoria da função cardíaca e uma diminuição das taxas de mortalidade pós-enfarte.

Quando ocorre um enfarte do miocárdio, vulgarmente conhecido como ataque cardíaco, significa que uma artéria coronária ficou ocluída e, como tal, as células cardíacas deixaram de ser irrigadas. Assim, o principal objectivo terapêutico numa primeira fase passa por tentar desobstruir a artéria e tentar evitar que as células, privadas de oxigénio, acabem por morrer. Contudo, há sempre uma percentagem que acaba por necrosar e perder a sua função, de modo irreversível.

O que estes investigadores fizeram foi algo de revolucionário: ultrapassar processo de morte celular e evitar a degradação da função cardíaca após um enfarte do miocárdio. A longo prazo a cicatrização que surge na zona de células mortas torna-se um problema a nível da mecânica do coração e pode conduzir à insuficiência cardíaca.

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O príncipio na mente dos investigadores era simples: e se os restantes cardiomiócitos ajudassem a reconstruir o tecido que havia sido danificado? Trabalhando com células epicárdicas (da camada mais externa do coração) in vitro os cientistas perceberam que estas conseguiam promover a replicação de outras células cardíacas preexistentes. Com a ajuda de um espectómetro de massa, o laboratório do Prof. Mark Mercola, em San Diego, identificou uma substância responsável por este processo, uma proteína natural conhecida como fosllistatin-like 1, FSTL1, que promovia a replicação das células cardíacas.

Na etapa seguinte, realizada em Stanford pela equipa da Prof. Ruiz-Losano esta proteína foi colocada em adesivos e aplicados na superfície de corações de modelos animais (porcos e ratinhos) que haviam sido submetidos a um enfarte. O resultado foi incrivel: o FSTL1 levou à divisão de células cardíacas plenamente diferenciadas que reconstruíram a área de células mortas e diminuiram a cicatrização. O adesivo tem a elasticidade de tecido embrionário e a capacidade de ser vascularizado como um tecido biológico, actuando como um viveiro para as novas células que vão surgindo na área afectada. “É um ambiente hospitaleiro. Com o tempo é remodelado e vascularizado à medida que novas células musculares vão surgindo.” declarou a Prof. Pilar Ruiz-Lozano.

Além de terem reduzido a cicatrização e diminuído a área de necrose, os adesivos de FSTL1 mostraram eficácia a longo prazo relativamente ao impacto na função cardíaca pós-enfarte. Por exemplo, em porcos que tinham sofrido um enfarte verificou-se uma queda da fracção de ejecção ventricular de 50% (valor normal) para 30%, mas, após a aplicação do adesivo assistiu-se a uma recuperação para 40% ao fim de algumas semanas.

O próximo objectivo é tornar este sistema uma realidade na prática clínica e ultrapassar o problema da diminuição da função ventricular. Para o efeito, a start-up EpikaBio, co-fundada pela Prof. Ruiz-Lozano, pretende iniciar os ensaios clínicos o mais cedo possível e prevê que, por 2017, esta terapêutica seja uma realidade.