Aylan Kurdi Caravan: caravana portuguesa com ajuda para os refugiados parte esta sexta


ajuda para os refugiados

Ajudar os refugiados que estão a chegar à Hungria é o objectivo do Aylan Kurdi Caravan, um movimento português, criado com o nome da criança síria que morreu afogada. Durante os últimos dias, milhares de donativos foram recolhidos em Lisboa e outros 25 pontos do país.

Roupa quente, calçado confortável, comida não perecível (como enlatados, tostas, sumos…), artigos de higiene e brinquedos enchem mais de 250 caixas, que representam 1 500 kg de carga. Além destes donativos de particulares, cerca de 15 empresas contribuíram com 28 500 kg de bens, totalizando a ajuda recebida em 30 toneladas, que serão levadas até aos refugiados em dois camiões TIR, cedidos pela empresa de transportes Urbanos.

O movimento Aylan Kurdi Caravan recebeu ainda doações monetárias, entregues através de uma conta bancária. Em apenas 24 horas, foram depositados mais de 2 mil euros.

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“É uma iniciativa 100% voluntária e da sociedade civil. Queremos demonstrar que o Povo Português é solidário”, disse João Vasconcelos, director da Startup Lisboa, no seu Facebook. “Podem continuar a fazer likes e comentários; e a fazer de conta que não temos nada a ver. Eu e várias pessoa achamos o contrário e decidimos agir. Já agora, cancelei a minha festa de 40 anos e celebro participando nesta iniciativa.”

João Vasconcelos, que integra a equipa do Aylan Kurdi Caravan, composta por uma dezena de pessoas, foi uma das principais vozes do movimento no Facebook. A rede social foi crucial para o sucesso da iniciativa; os likes, os comentários e os shares ajudaram a divulgar a mensagem, amplificada também pelos media.

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No último sábado, João Vasconcelos escreveu: “Passaram quase 24 horas desde o inicio deste projecto, nunca tinha aprendido tanto em tão pouco tempo. Temos recebido centenas de contactos de voluntários, doadores individuais e empresas, uma verdadeira onda de indignados e de quem não se conforma com a situação na Hungria. Já estamos em contacto com organizações que estão no terreno e até segunda teremos locais de recolha em todas as principais cidades de Portugal. Já temos apoios de empresas do PSi20 e micro-empresas, já temos veículos pesados e ligeiros de mercadoria preparados para transportar qualquer dádiva até à Hungria. Agradecemos a todos o vosso apoio.”

Um dia depois, acrescentou: “As mensagens de ódio ou opositoras a esta iniciativa continuam a ser menos de 1% do total de mensagens que recebo, na sua maioria usam argumentos religiosos e xenófobos e na maior parte das situações demonstram um profundo desconhecimento das razões que levam estes refugiados a procurar a Europa.”

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Os dois camiões do Aylan Kurdi Caravan tinham como destino previsto a Hungria, mas a rota foi alterada devido ao fecho das fronteiras pelas autoridades húngaras. A organização estabeleceu contactos com as embaixadas e ONG da Sérvia e da Croácia, para identificar os locais de concentração de refugiados onde a ajuda dos portugueses será mais necessária.

Esta sexta, os dois camiões TIR vão sair de Lisboa rumo à fronteira da Croácia com a Sérvia. Uma comitiva portuguesa partirá para o local na tarde deste sábado.

Nem todos os bens serão levados para fora, devido aos custos de viagem. Por exemplo, levar uma palete de águas de Portugal custa mais do que a comprar uma na Hungria. Assim, a equipa do Aylan Kurdi Caravan fez um acordo com o Centro Português de Refugiados para este receber tudo o que for doado para fora.

Fotos: João Porfírio/Shifter