Diário da fronteira V


 
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E ao quinto Diário da Fronteira, o João Porfírio esteve em Tovarnik, na Croácia, e relata-nos mais uma etapa da viagem de centenas de refugiados, cada vez mais próximos da Sérvia.

Acordei cedo mas fiquei no quarto de hotel até bem perto das 16h, a trabalhar! Sem ter comido nada, estava super irritado porque duas horas e meia depois já não tinha luz para fazer fosse o que quer que fosse! Depois do “almoço” fui para Tovarnik, é uma terra minúscula que nestes dias ficou completamente invadida por refugiados. Contou-me uma senhora que até no seu quintal vieram dormir. Porquê Tovarnik? É a civilização mais próxima da fronteira com a Sérvia, eles saem da Sérvia e vêm até esta aldeia, onde existe a “famosa” estação de comboios. Há uns dias, esta estação estava repleta de refugiados a dormirem em cima dos carris e a entrarem pela janela do comboio para o conseguirem apanhar… Até onde? Ninguém sabe, nem nós jornalistas, nem os refugiados, que o perguntam várias e várias vezes enquanto nos olham do lado de dentro do comboio. Mas agora está tudo mais calmo. Os refugiados foram para um campo da Cruz Vermelha relativamente perto da estação de comboios e são trazidos daí até à estação, onde vão entrando ordeiramente, com a ajuda da polícia croata, nos comboios.

Hoje irei até esse campo que falo.

Vê-se de tudo um pouco mas o que custa mais continuam a ser as crianças, sem dúvida! Nestas situações o mal é se nos apegamos demasiado a quem quer que seja porque… Porque muito provavelmente nunca mais as voltamos a ver, porque não sabemos em que condições de vida vão ficar, se vão sobreviver ou não…

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Em nota de curiosidade, ontem enquanto o comboio partia fiz um vídeo com o meu telemóvel de uma criança a despedir-se de mim com beijos e “adeus”, da janela do comboio. Pus no meu Facebook pessoal e para além dos expectáveis comentários menos apropriados, o vídeo foi denunciado e eliminado. Mostro-vos o vídeo e uma fotografia, tirada com o telemóvel, do resultado de meia hora em conversa com esta criança.

A vida é tão injusta…

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