Estará o mundo a ficar sem espaço para nós?


 
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Num mundo com cada vez mais população, conseguiremos encontrar refúgios para descansarmos longe uns dos outros?

É impossível rever com precisão o crescimento da população nas próximas décadas, mas uma coisa é certa: o mundo está a tornar-se um lugar muito, muito frequentado. As estimativas das Nações Unidas mais recentes, de julho, apontam para os 8 400 milhões de humanos em 2030. Hoje somos 7 300 milhões. É um crescimento ainda a ritmo furioso, embora este século comece a abrandar. Em 2050, deveremos ser 9 700 milhões e chegar aos 11 200 milhões em 2100.

Um artigo da BBC traça um quadro realista dos grandes desafios que a Humanidade tem pela frente. Até porque já usámos todas as terras, rios e águas mais produtivas — acabaram os bons tempos da exploração barata dos recursos naturais.

A concentração das pessoas nas mega-cidades e em áreas urbanas extensas é um dos grandes desafios. Mas o cenário é muito diferente na Europa (pouco crescimento) e América quando comparadas com a Ásia (grande crescimento) e sobretudo África (vai quadruplicar de população até 2100). “As projeções para África são assustadoras“, diz John Bongaarts, vice-presidente da Population Council. “Uma grande parte acabará em bairros de lata, o que não é receita para uma boa vida“.

Mas também os espaços rurais e os paraísos naturais sofrerão a pressão populacional. As atrações naturais nos EUA, por exemplo, estão sobrelotadas e com bilhetes vendidos para muitos meses, colocando problemas de trânsito e engarrafamentos de horas.

Os espaços selvagens não estão melhor. Ainda que reservados a elites, recebem cada vez mais gente. O que levanta a questão: seremos capazes de encontrar espaços para nos isolarmos, ainda que temporariamente, uns dos outros?

Podemos viver em espaços muito mais densificados — sim, é possível“, diz John Wilmoth, da Nações Unidas. “Como alguém que vive em Manhattan, tenho de dizer que não é horrível“.

Finalmente: o fenómeno do crescimento das desigualdades vai agravar-se em parte por causa de questões ambientais. E tornar-se um problema cada vez pior.

Texto: Paulo Querido

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