Ethan Hawke interpreta Chet Baker em ‘Born To Be Blue’


Hollywood não é apenas a casa das mega produções, das explosões, dos efeitos especiais e dos clichés. Existe, de tempo a tempo, a busca genuína por algo mais profundo e menos determinado em nos fazer sair da sala com a sensação que o mundo vai acabar ou que o nosso carro vai, a qualquer momento, levantar-se e destruir um super vilão.

Johnny Cash, Bob Dylan, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Ian Curtis, Ray Charles, Amy Winehouse, Buddy Holly, Edith Piaf, Bob Marley, John Lennon. Todos eles tiveram, de uma maneira ou outra, a vida imprimida em filme. O resultado nem sempre agradou, fosse pelo excesso de fantasia, bad acting, pelo toque demasiado romântico ou por não incluir partes determinantes da vida do músico na película.

Mas aqueles que resultaram, com todos os ingredientes, têm hoje um estatuto de quase culto. Obras que nos aproximam da pessoa, que nos deixam espreitar a janela para as falhas e as banalidades daqueles cujo estatuto era divino.

Agora é a vez de Chesney Henry Baker. O mítico trompetista, falecido em Amsterdão em Maio de 1988, vai finalmente ser representado no grande ecrã pelo norte americano Ethan Hawke. A história, que combinará factos e ficção, pretende dar seguimento a uma curta do realizador Robert Budreau (The Deaths of Chet Baker), expandindo-a finalmente a longa metragem.

Born to be Blue mostra-nos a vida de Baker já no final da década de 60, altura em que iria participar num filme sobre a sua vida. Entre a paixão pela co-protagonista e o episódio de violência em Sausalito na California que acabaria por lhe adiar o filme e comprometer o rumo da carreira, Chet atravessa momentos complicados onde a heroína é uma constante. A recuperação e reviravolta na carreira acabam por acontecer e o músico tenta finalmente recuperar o lugar perdido na ribalta.

O filme, com estreia este mês no Toronto International Film Festival, é um embalo suave da vida do trompetista, que acaba por se incorporar outros contextos maiores dos Estados Unidos como a questão racial ou a instabilidade política da altura.