O Indie Music Fest 2015 contado por dois dos seus protagonistas


Indie Music Fest 2015 protagonistas
 
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Acabou. Fazem-se as malas, guardam-se as tendas, é agora. Às costas levam-se mochilas carregadas de sorrisos e memórias e tudo o mais que durante aqueles três dias nos fez gritar até as veias doerem. Há quem diga que Choupal é, por esta altura, o bosque encantado, e nós sabemos a razão: as guitarradas distendidas e as estocadas de bateria.

De 3 a 5 de Setembro mergulhámos naquele verde intenso e sentimos a música perfumada, de todos os tons, que nos açucarou a pele e os ouvidos. Não há aqui rodeios, o Indie é a melhor metáfora de estações a acontecer no circuito de festivais. Um espaço de Primavera constante, um Verão que não queremos que acabe, um Outono iminente e um Inverno demasiado longo até Setembro do próximo ano.

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Agora começou a espera, mas não estamos sozinhos. Do público aos músicos, o sentimento é mútuo. Por isso, trocámos por palavras a guitarra do Miguel da Bernarda dos Brass Wires Orchestra e a bateria do Carlos BB dos Keep Razors Sharp e, em troca, recebemos uma janela bordada de tudo o que eles viram e sentiram nesta edição de 2015 do Indie Music Fest.

Miguel da Bernarda, sobre o dia 4, o segundo do festival:

Após meses de ‘daydreaming’ com o Indie, a espera tinha finalmente um fim à vista.

Como seria de esperar, o bosque do Choupal recebeu-nos auspiciosamente com o seu manto verde a marcar a tonalidade para o resto do dia. Toda a envolvente e design do recinto a transportar-nos para um imaginário que nos é bastante familiar.

Sabes que houve cuidado e atenção quando te deparas com um stand de comida sem glúten e para mim, esse é o tipo de pormenor que nos faz voltar.

O nosso soundcheck fez-se sem grandes problemas técnicos, com a ajuda do Chéu e da sua equipa de palco.

Sabíamos que no nosso dia estariam presentes algumas bandas amigas, o gang de Capitão Fausto disfarçados de Modernos e Bispo, ou a malta dos Les Crazy Cocunuts pelo que foi muito bom partilhar backstage com todos eles.

Apanhei pedaços de alguns concertos dessa noite, Les Crazy Coconuts e Capitães da Areia a mostrarem o porquê de estarem neste cartaz fantástico.

O concerto de BWO foi sem dúvida memorável para nós por várias razões, levámos um set inédito que incluía uma versão nossa do tema “Breezeblocks” dos Alt-J, que para mim foi um dos melhores momentos dessa noite, senti que conseguimos uma ligação forte com o público quando parti uma corda na primeira canção e incansáveis foram aqueles que não pararam de bater palmas até que o problema fosse resolvido.

Depois Os Modernos desempenharam com brio o seu rock mortífero e trouxeram a euforia de ‘mosh-pit’ ao bosque para fechar o palco principal.

Espero que o festival continue a crescer e a apresentar cartazes como o deste ano.
Foi um prazer enorme.

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Depois das melodias dos BWO, afiámos os olhos e ouvidos para perceber o que vai na cabeça do BB. Dos check sounds madrugadores aos leitões no parque de estacionamento, o Indie transformou-se no cenário perfeito para receber os Keep Razors Sharp.

Carlos BB, baterista de Keep Razors Sharp, sobre o dia 5:

Para começar quero dizer que nenhuma banda de Rock devia ser obrigada a acordar às 7 da manhã para fazer som às 11 da manhã… mas tudo foi esquecido assim que chegámos ao bosque encantado que era aquele Recinto, habitat natural dos hipotéticos filhos entre as personagens do Mad Max e as do Alice no País das Maravilhas. Até leitões soltos pelo parque de estacionamento havia!

Entre andar de cuecas com os Thunder & Co no hotel até acabar o concerto de Razors a bolsar-me todo de esforço, aconteceu um pouco de tudo, muito graças ao óptimo ambiente e espírito de diversão do público do Indie Music Fest.

No meio de tanto caos (do bom) ainda conseguimos ver o concerto de The Sunflowers que teve uma energia incrível, tanto da banda como do público, foi comer pó até mais não; o dos Old Yellow Jack (que já passaram pelo Black Sheep Studios para o EP e estarão de volta muito em breve para o LP) que se portaram que nem senhores; e os Thunder & Co que eram os underdogs do Festival com som mais a puxar para a eletrónica mas foram quem mais levou o público ao rubro, sempre em modo fun.

E foi assim. Para o ano queremos lá voltar!

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Não há nada mais caótico nem mais viciante do que um bom concerto. Aquele que nos deixa as pernas a doer, as mãos a tremer e uma sensação que mistura vazios e contentamentos. E no Indie eles aconteceram. Dos The Sunflowers, passando pelo “Southern Hype” dos Cave Story, os arranjos geniais dos BWO, pela força dos KRS, até chegarmos ali, aos 100 Metros Sereia.

Quem já viu, sabe que não há fim que melhor traduza a paixão e devoção do público a uma banda. E, nesse aspecto, os Linda Martini são transcendentes. F*der não é perto, sequer, do amor que o público lhes tem.

Agora? Agora é esperar por Setembro de 2016 e acreditar que o Indie, vencedor do prémio de melhor microfestival na última edição dos Portugal Festival Awards, continuará a apostar na boa música portuguesa, como o tem feito.

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