Nova espécie humana descoberta na África do Sul


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Um grupo de investigadores anunciou a descoberta de um “primo” do Homo sapiens e já está a ser considerada como uma das mais importantes descobertas sobre a nossa evolução desde a descoberta de Lucy, a Astralopithecus alfarensis cujo esqueleto é o mais velho encontrado até hoje.

Os restos mortais da espécie Homo naledi foram encontrados numa caverna, perto de Joaneseburgo, conhecida como “Rising Star”, e prometem mudar o entendimento que temos da evolução humana e de como cá chegámos.

A descoberta

Nada fazia prever que, numa noite dos finais de 2013, Lee Berger se deparasse com uma das maiores descobertas da sua carreira. Nessa noite um escavador amador apresentou-lhe o pedaço de uma mandíbula que tinha encontrado numa caverna junto da cidade de Joaneseburgo. Berger, professor da Universidade de Witwatersrand tinha em mãos uma descoberta extraordinária mas ainda não o sabia.

As expedições de exploração subsequentes à caverna Rising Star revelaram algo que poucos imaginariam. Foram duas expedições, uma em novembro de 2013 e outra em março de 2014 em busca das restates ossadas que se encontravam dentro de uma câmara à qual se acedia por um pórtico com apenas 18 cm de largura. A tarefa de exploração envolveu mais de 60 cientistas e cavadores voluntários e apresentou sérias dificuldades tendo em conta as estreitas dimensões da gruta, ilustradas na infografia da National Geographic em baixo.

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Mas o que encontraram dentro daquela gruta foi o que mais surpreendeu os cientistas, “algo diferente e extraordinário” como descreve Lee Berger. Esperando dar de caras com o restante esqueleto da mandíbula que lhe havia sido entregue, Berger deparou-se com várias ossadas, pertencentes a pelo menos 15 indivíduos!

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Os trabalhos de catalogação decorreram durante o mês de maio de 2015, no qual foram organizadas mais de 1500 ossadas! Mas Berger acredita que haja ainda mais por encontrar na caverna “Rising Star”. “Esta câmara ainda não revelou todos os seus segredos. Há potencialmente centenas se não milhares de restos mortais de H. Naledi ainda lá em baixo”, revelou o líder da expedição, citado pelo Telegraph.

A descoberta reveste-se de contornos únicos logo pelo facto de uma espécie de hominídeo ter uma espécie de cemitério. Algo inédito, já que se julgava que apenas com o Homo sapiens teria surgido o rito de enterrar os defuntos. “Até esta descoberta, nós achávamos que os rituais mortuários, como o enterro, era algo totalmente único do Homo sapiens. Era possivelmente um facto que nos identificava a nós. Podia ser visto como a nossa única singularidade.”

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Mas após análise cuidada dos restos mortais chegou-se a uma conclusão ainda mais surpreendente: tratava-se de uma espécie da evolução humana que se considerava bastante afastada e sem capacidade de comportamentos complexos: o Homo Naledi.

Descobrindo o Homo Naledi

O Homo naledi terá surgido há quatro milhões de ano atrás de uma evolução divergente a partir de um dos primeiros hominídeos conhecidos, o Astralopithecus afarensis.

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A espécie reúne uma série de características tanto primitivas como semelhante aos seres humanos. Para começar era bípede, deslocava-se sobre os membros inferiores, e era excepcionalmente alto para um homenídeo: os homens mediam cerca de 1,5m. Tinha pernas longas e musculosas e era magro, não pesando mais que 45kg. As suas mãos e pés eram semelhantes às nossas, com articulações que lhes permitiam agarrar objectos.

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Contudo as semelhanças terminam aqui. Se as extremidades são surpreendentemente semelhantes às do ser humano, o resto do corpo é em tudo primitivo. A cintura pélvica e os ombros são bastante diferentes do Homo sapiens, assim como a cabeça que era, na verdade minúscula! A caixa craniana não teria mais que 450-550 centímetros cúbicos (a do H. sapiens é de aproximadamente 3L) e alojava um cérebro não superior ao tamanho de uma laranja.

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Das suas características, os investigadores inferem que o H. naledi caminhasse longas distâncias e fosse trepador, apesar de não trepar árvores. “É claro ao olhar para aqueles dedos que eles eram trepadores, mas não sabemos ainda o que eles subiam. Aquilo não é uma mão de um animal que trepe a árvores”, confidenciou Berger ao IFLScience.

Esta descoberta de um primo nosso é incrivel ainda para mais ao percebermo-nos que esta espécie primitiva praticava rituais de enterro. O estudo das características morfológicas das restantes ossadas que se julgam estarem escondidas na gruta pode ser importante para preencher mais elos na cadeia de evolução humana.

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