Os últimos também correm


Desculpa Nike, eu assumo. Nunca corri uma mini-maratona. Os meus registos no Nike+ são impulsos desportivos que tenho de 3 em 3 meses. Desculpa as poucas as vezes que saí a correr porta fora graças aos teus insights pertinentes, mensagens poderosas e imagens inspiradoras.

E obrigado. Obrigado por me teres convencido novamente a pegar nos ténis.

(Depois do que vi, sentia-me na obrigação de ser franco com a Nike.)

Mais uma vez a Nike e a Wieden + Kennedy conseguiram. A semana passada fomos presenteados com mais uma ode que faz com que publicitários, amantes de publicidade, corredores e amantes de corrida se levantem e aplaudam em uníssono e com um óptimo pace.

“Last” é um filme dono de uma simplicidade e frontalidade que só não são eficazes para quem não tem sentimentos ou genuinamente odeia desporto e publicidade. Ao mesmo tempo.

No filme, temos a perspectiva do final de maratona. Os últimos participantes, a estrada pulverizada de copos de papel e os pedestres a começarem a invadir o que antes era território de atletas. Com uma técnica de filmagem e uma estética muito idêntica ao “Jogger” da campanha Find Your Greatness, a excelente escolha de Aretha Franklin para banda sonora e a locução calma e semi-hipnótica ajudam a fechar aquele que provavelmente é um dos grandes filmes de 2015.

“Last” quer-te inspirar a ti e a todos aqueles que acabam as minis, as meias e as maratonas completas em último. Quer dizer-nos para não desistirmos de treinar e que afinal também somos humanos se chegarmos em último.

Para acabar, vou só deixar isto aqui: “If you look up the word Marathon, it will tell you that the first person who ran 26.2 miles died. He died. And he was a runner. You are not a runner. You are especially not a marathon runner. But at the end of this, you will be.”