Shell desiste de explorar petróleo no Ártico


Shell petróleo no Ártico

São óptimas notícias para a Natureza. Depois de anos de polémica com ambientalistas e o Governo norte-americano, a Shell anunciou esta segunda-feira que desistiu de explorar petróleo no Ártico. Embora tenha encontrado gás e petróleo num poço exploratório ao largo do Alasca, as quantidades não são suficientes para a sua exploração comercial.

Apesar de, em público, a empresa anglo-holandesa ter sublinhado repetidamente o enorme potencial do Alasca em hidrocarbonetos, não pôde ficar indiferente à onda de críticas que recebeu, pelo receio de acidentes num ambiente frágil e praticamente intocado, que pertence a baleias, morsas e ursos polares.

Na verdade, segundo os ambientalistas, seria muito complicado limpar a poluição deixada por um eventual derrame de petróleo. Por um lado, estamos a falar de condições inóspitas, como extremo frio, parte do ano às escuras e sob permanente riscos à navegação. Por outro lado, as águas frias não permitem a proliferação de bactérias que naturalmente degradam os hidrocarbonetos. Há ainda a calota polar que cobre a água, tornando difícil chegar aos hidrocarbonetos.

No entanto, na decisão da Shell, foram os fracos resultados, o elevado custo do projecto e as dificuldades regulatórias para o levar adiante que mais pesaram. A tudo isso juntam-se o preço actual do barril de crude: cerca de 50 dólares. Desde 2007, a petrolífera investiu 7 mil milhões de dólares no Ártico e a desistência agora anunciada vai abrir um buraco de 4,1 mil milhões nas contas. Todavia, a Shell continua a considerar aquela região petrolífera como estratégica para o Estados Unidos e para o Alasca.

A Shell tinha apostado fortemente no seu projecto de perfuração da região acima do Círculo Polar Ártico – uma região que, segundo um relatório de 2008 do United States Geological Survey contém 13% das reservas mundiais não descobertas de petróleo e 30% das reservas não descobertas de gás natural.

Foi em Julho deste ano que a Shell arrancou com as explorações no Alaska, que previa continuar durante dois anos. A autorização chegou do Governo de Barack Obama e foi alvo de muitas críticas. Vários grupos ambientalistas protestaram contra a decisão da empresa e activistas da Greenpeace ocuparam mesmo as plataformas de perfuração da Shell.

Podes ler mais sobre este assunto neste artigo do The Guardian.