Travis Scott – ‘Rodeo’


Travis Scott Rodeo album
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Travis Scott lançou sexta-feira passada o seu aguardado álbum de estreia: Rodeo. Surgiu depois do lançamento da mixtape Days Before Rodeo, onde estão incluídos os hits “Mamacita” e “Don’t Play”. A data de lançamento estava prevista para Março, mas em vez disso, Travis Scott alargou a data e disponibilizou dois singles: “3500” e “Antidote”.

Travis anunciou que iria lançar o seu primeiro projeto como LP, criando sempre uma enorme expectativa via Twitter, explicando o próprio Rodeo (“It’s like a Beyoncé concert. The carnival, the livestock, and the show are all parts of the event.”) e considerando-se um símbolo da youth revolution, uma mistura de juventude e criatividade, sempre a reflectir sobre o espírito desta geração (“The youth has the sound I will prove”) e levando isto a sério musicalmente (“Every producer I work on this album is my age or a couple years younger or older”).

Rodeo é um projeto ambicioso, embebido pelo tema central: o domínio do nosso estilo de vida descontrolado, através de uma metáfora, como um cowboy domina o touro num verdadeiro rodeo. Travis passou estes últimos anos em tour e em estúdios, a desenvolver a sua estética como artista e lapidando o seu talento, mas só agora surge o seu primeiro trabalho como LP,

Com uma sonoridade caracterizada por um gótico e até apocalíptico trovão de synth-rap que electrifica todas as faixas, tornando-as hit songs logo nas primeiras audições. A maioria das faixas conta com participações de rappers e cantores da atualidade, entre eles: Kanye West , Juicy J, Justin Bieber, Young Thug, The Weeknd, Future e 2 Chainz.

Apesar de ser um dos álbuns mais esperados do ano, La Flame, alcunha de Travis Scott, impôs demasiada expectativa e hype no seu projecto, faltando uma temática mais rica em conteúdo do que apenas sex, drugs and rock&roll e deixando-o muito aquém do que poderia ter sido uma combinação da lírica e sonoridade que só encontramos no rapper de Houston, Texas, na criação do seu primeiro trabalho.

A primeira faixa, “Pornography”, abre a tracklist com a presença de T.I. narrando uma introdução antes de se tornar numa música trippy, com auto-tune e rap flow de Scott que fala da sua viagem pelas drogas, sexo e pornografia. “Oh My Dis Side”e “3500” aparecem logo depois como uma extensão da mixtape Days Before Rodeo onde a faixa “Wasted” com Juicy J encerra toda essa lembrança.

“90210”, a quinta faixa, representa uma mudança de humor sónico onde Travis encontra um registo mais mórbido acompanhado por bass e solos de guitarra elétrica, representando um ponto de viragem quase a meio da “viagem”. Com a ajuda de The Weeknd, Travis mergulha numa onda mais RnB em “Pray 4 Love”, descrevendo a sua luta entre o seu sucesso e os “demónios” que advêm do êxito e prosperidade.

Na última metade do álbum, prestando mais atenção “Piss On Your Grave”, percebemos que é marcada pela falta de performance lírica de Kanye West ou o facto controverso de toda a temática ser relacionada sobre a indústria e quem a controla. “Antidote” é uma das grandes faixas do LP, sendo um hit deste Verão, não deveria entrar no projeto, mas enaltecida por um hype inesperado, o rapper decidiu integrar a hit song na tracklist final.

Até ao final, temos de dar mais importância a uma faixa, umas das melhores presentes, “Maria I’m Drunk”. Com a participação de Young Thug e Justin Bieber, toda a música é um hit em qualidade e produção, em que Bieber se revela num sing-song rap,  mostrando assim uma nova faceta, acompanhando Travis Scott e Young Thug nos seus synth e auto-tune raps sobre o uso de drogas e sexo (Maria = Cannabis).

Travis Scott conseguiu criar um álbum de hit songs, deixando muito a desejar em termos de conteúdo, pois estamos habituados a que o rapper texano nos surpreenda sonicamente, assim como liricamente. Desta vez, a sua lírica e temática não estiveram tão fortes, onde é mais fácil prestar atenção ao beat e ao que ele nos faz sentir do que realmente o que o rapper diz nas suas faixas, onde o assunto é mesmo de faixa para faixa, perdendo valor e emoção. Como o nome do LP indica, “Rodeo” é apenas uma festa, uma “largada” de vícios, uma viagem atribulada.

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