10 anos depois do primeiro single de Arctic Monkeys


 
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Este é o primeiro de uma série de artigos a celebrar o décimo aniversário dos Arctic Monkeys.

O recado foi para não acreditarmos no hype, mas nós fizemos exactamente o oposto. Quem não se lembra de ver pela primeira vez o videoclip em que ouvíamos falar do robot de 1984? Quem era este Alex que parecia ser tão especial no meio de tantos indie rockers do momento? Porque é que o falsete do baterista ficava tão bem ali?

Aliás, ainda custa a crer que Matt Elders só se dedicou à bateria porque todos os outros instrumentos já estavam atribuídos. Este que é um dos bateristas da nossa geração e dos maiores responsáveis pelo frenético som de Arctic Monkeys. Este episódio diz muito acerca do quanto eram uma banda de putos, ainda por sair da garagem, mas com a música a soar no sítio certo. Era o melhor tempo de sempre para ser indie.

Já toda a gente sabe a história que se segue, a interligação inevitável com a internet, o trambolhão das músicas no MySpace ao mesmo tempo que estavam na MTV. Era também o momento em que as pessoas já falavam do que gostavam na Internet, já eram capazes de influenciar outras pessoas à sua volta. Os dez anos de Arctic Monkeys são também os dez anos de uma banda que nos mostrou que as pessoas agora se encontravam no lado mais virtual do mundo.

Talvez seja por isso que mesmo com a barulheira de bandas como os The Strokes e os White Stripes, os Arctic Monkeys foram mais rápidos que o solo inicial de “I Bet You Look Good on the Dancefloor” a chegar ao número um no Reino Unido.

“Estávamos a tentar fazer o corte deste disco no quarto e ele a dar na televisão no quarto ao lado,” foi o que o Alex Turner disse à NME em 2014. O guitarrista Jamie Cook era empreiteiro e ainda voltou para um serviço de pavimentação no fim da primeira tour. Será que o hype era mesmo para durar? Será que o hype era mesmo real? Pelos vistos fizemos bem em embarcar com eles nestes últimos dez anos.

Queres saber mais sobre a “I Bet You Look Good on the Dancefloor”?

Quem inspirou

A fama da Domino: Esta é uma das maiores labels do indie, mas decerto que o sucesso absoluto dos primeiros dois discos de Arctic Monkeys ajudaram ao seu estabelecimento, assim como a um lugar de destaque na indústria. O resto é história, ou melhor, é música para os nossos ouvidos.

As críticas dos colegas rockersKeith Richards deixou claro que estes grupos modernos não tinham nada a ver com rock ‘n’ roll. Noel Gallagher de Oasis achou que eram uma porcaria. E pelos vistos ainda acha. O antigo membro de Depeche Mode, Alan Wilder, disse que era um bombardeamento de barulho unidimensional. Ouch.

Jake Bugg: Esta história de ser um génio do rock a uma idade jovem ficou logo desbloqueada. Quando Jake apareceu com um rock igualmente inovador, igualmente brit e igualmente chav, todos se lembraram de Arctic Monkeys. E ainda bem.

Os próprios Arctic Monkeys: Vejam a banda que está no lugar dos Arctic Monkeys que conhecíamos… São uns rockers à grande que vivem em L.A. e lançaram um dos álbuns de rock mais mimados dos últimos anos. Tudo este sucesso encarrilado teve o seu começo no sucesso estrondoso deste single.

Vampire Weekend: Ok, talvez não os Vampire Weekend em si, mas uma banda poder orgulhar-se do sítio estranho de onde vem, escrever com letras absurdamente complexas, mas belíssimas, e brilhar num registo sónico nunca antes descoberto, é tudo o que os rapazes de Sheffield mostraram ao mundo. Bandas como Vampire Weekend tiveram o caminho facilitado.

Curiosidades

O Alex Turner diz que era impossível nesta altura imaginar que um dia não teria de tocar esta música num concerto ao vivo.

Foram precisas três tentativas para apanhar o som certo na música. A primeira foi uma demo com o produtor Alan Smyth. Depois uma versão super acelerada já com James Ford. E por fim, Jim Abiss ajudou a chegar à forma final.

Your name isn’t Rio, but I don’t care for sand é mesmo uma referência a Duran Duran.

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