Nasceu a “BQ” portuguesa. Chama-se LAIQ e já tem 2 telemóveis


LAIQ telemóveis

Não param de surgir pequenas marcas que tentam trazer inovação, ideias frescas e uma melhor relação qualidade/preço a um mercado determinado por gigantes. A LAIQ é uma dessas novas marcas, mas não é apenas mais uma. É portuguesa e tem ambições que se estendem além fronteiras e além lusofonia.

A LAIQ está pronta para competir com a Apple e a Samsung no seu próprio país, dando às pessoas um telemóvel com serviços decentes e uma boa câmara… mas barato.

A história da LAIQ confunde-se com a da espanhola BQ. As duas empresas começaram a fazer equipamentos para outras marcas, até que perceberam que podiam aplicar o seu conhecimento e experiência uma marca própria. Em 2011, a BQ produzia e-readers para grandes empresas como a Fnac ou a Telefónica; só em 2013 é que se aventurou sozinha a criar telemóveis Android, um negócio que naquele ano resultou em 400 mil unidades vendidas e numa quota de mercado de 3% em Espanha. Já em 2014, facturou 202,5 milhões de euros com o seu portefólio de telemóveis, tablets e e-readers de gama média.

Já a LAIQ nasceu dentro de uma empresa da qual provavelmente nunca ouviste falar, chamada SDT. Apesar de ter mais de 30 anos de mercado e de estar presente também em Angola e no Brasil, a SDT passa despercebida aos olhos da maior parte dos consumidores, ao trabalhar “discretamente” com operadoras de comunicações.

Em 2013, a SDT juntou-se à PT para a criação de smartphones MEO. Os 4 modelos desenvolvidos contam com mais de 107 mil unidades vendidas. Segundo a empresa, esses resultados garantem-lhe cerca de 9% de quota de mercado de smartphones vendidos em Portugal, o que representa 60% do mercado dentro da marca MEO, marca com a qual vai continuar a trabalhar.

A SDT quer chegar a todo o mercado português e vender também para países como Brasil e Angola, aproveitando o reconhecimento público pelo seu trabalho e o know-how de fazer telemóveis. A empresa reservou uma equipa interna para, ao longo do último ano, criar na LAIQ, em conjunto com a agência de publicidade Partners.

“Na LAIQ temos o conhecimento, a criatividade e paixão que poderão inspirar os nossos utilizadores, para que com os nossos produtos possam trabalhar, ter liberdade para comunicar, encontrar novos amigos e compartilhar os momentos mais preciosos com os seus entes mais queridos”, lê-se num comunicado de imprensa. “Queremos construir relações duradouras de confiança com os utilizadores sem que tenhamos que comprometer o design ou a performance em detrimento do preço do equipamento. O elevado desempenho e autonomia, em perfeita harmonia com a qualidade dos ecrãs de alta definição e as câmaras fotográficas de alta resolução, são a prova disso mesmo.”

A LAIQ vai lançar produtos de gama média em quatro segmentos distintos, sendo que os preços variam entre os 100 e os 200 euros, a faixa de preço que, segundo a marca, é a mais procurada pelo público português. A categoria “Rhytm” terá telemóveis até aos 100 euros, coloridos, bons para os mais jovens e para quem gosta de jogar. Os “Style” serão os topo-de-gama da LAIQ, ainda que o preço não vá ultrapassar os 200 euros. Já o segmento “Signature” vai proporcionar uma ligação entre celebridades e os seus fãs; a ideia é criar telemóveis com a assinatura de celebridades (Cristina Ferreira? Cristiano Ronaldo?).

Por agora, a LAIQ só revelou produtos para a categoria “Travel”. Os telemóveis desta gama terão nomes de cidades e os preços estarão entre os 120 e os 170 euros. LAIQ New York e LAIQ Dubai são as primeiras apostas da marca e já podem ser encontrados, por exemplo, nas lojas Phone House, bem como em outros pontos de venda.

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Desenvolvidos em Portugal e montados na China, os dois telemóveis têm um ecrã HD de 5 polegadas, câmara traseira de 13 megapixel e suporte para Dual SIM. O LAIQ Dubai diferencia-se do New York pelo design e também pelo processador: é um octa-core, em vez de um quad-core.

A LAIQ diz que um ecrã de 5 polegadas e um processador quad-core são os mínimos aceitáveis num telemóvel. O software, de acordo com a marca, tem de ser o mais limpo possível, pois a personalização cabe ao utilizador. Apesar de os dois equipamentos trazerem Android 4.4, a LAIQ está a testar o mais recente 5.1 antes de libertar a actualização e promete que vai trabalhar para que os equipamentos tenham sempre a versão mais recente do Android (é esperar pelo update do 6.0).

Os preços do LAIQ New York e do LAIQ Dubai são, respectivamente, 149 e 169 euros. A tecnológica portuguesa tenciona lançar mais dois modelos de outras gamas até ao final do ano, altura em que espera ter vendido já cerca 40 mil unidades. Em 2016, o objectivo é vender 200 mil telemóveis, metade do que a BQ vendeu em 2013.

A LAIQ não é a única marca de telemóveis portuguesas. A ZTC é uma das mais conhecidas, está sediada em Aveiro, mas só produz featured phones. Contudo, a LAIQ é a primeira marca parecida com a BQ.

LAIQ New York (149 euros)

  • ecrã de 5 polegadas com resolução 720p HD
  • câmaras traseira de 13 MP e frontal de 5 MP
  • processador quad-core de 1,3 Ghz
  • memória RAM de 1 GB
  • bateria de 2250 mAh
  • suporte Dual SIM
  • Android 4.4 com actualização para versões mais recentes

LAIQ Dubai (169 euros)

  • ecrã de 5 polegadas com resolução 720p HD
  • câmaras traseira de 13 MP e frontal de 5 MP
  • processador octa-core de 2 Ghz
  • memória RAM de 1 GB
  • bateria de 2200 mAh
  • suporte Dual SIM
  • Android 4.4 com actualização para versões mais recentes