Luaty Beirão anuncia fim da greve de fome


greve de fome

Luaty Beirão decidiu colocar um ponto final na sua greve de fome, que já durava há 37 dias, em protesto contra o excesso de prisão preventiva. Numa carta escrita pelo próprio e dedicada aos seus 14 companheiros detidos e à sociedade civil, o activista luso-angolano diz que “a vitória já aconteceu”.

Foi há 129 dias, a 20 de Junho, que Luaty e mais 14 activistas foram presos em Angola, acusados pelo Ministério Público de “actos preparatórios para prática de rebelião e atentado contra o Presidente da República“. Detidos em diferentes estabelecimentos prisionais – Estabelecimento Prisional de Calomboloca, Unidade Prisional do Kakila, Hospital Psiquiátrico e Comarca Central de Luanda – , todos os activistas encontram-se, de momento, no Hospital-Prisão de São Paulo.

“Junho vai longe. Passámos muitos dias presos em celas solitárias, alguns sem comer, com muitas saudades de quem nos é próximo. Pelo caminho sentimos a solidariedade da maioria dos prisioneiros e funcionários. Tivemos apoio de família e amigos”, afirma Luaty na carta que dirige a todos os presos políticos em Angola. São eles: Domingos da Cruz, Afonso Matias “Mbanza Hamza”, José Gomes Hata, Hitler Jessia Chiconda “Samussuku”, Inocêncio Brito, Sedrick de Carvalho, Fernando Tomás Nicola, Nelson Dibango, Arante Kivuvu, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias, Osvaldo Caholo, Manuel Baptista Chivonde “Nito Alves” e Albano Evaristo Bingo.

A greve de fome de Luaty Beirão tornou mediático o assunto dos 15 presos políticos. A imprensa nacional e internacional não se cansou de reportar o estado alarmante da saúde do activista, à qual se juntaram as vozes de inúmeras figuras públicas e da sociedade em geral. Na verdade, vários grupos apelam à libertação de Luaty e dos seus companheiros, exigindo justiça e respeito pelos Direitos Humanos. Organizações como a Amnistia Internacional tornaram-se também voz activa. O silêncio manteve-se apenas do lado dos Governantes portugueses e angolanos.

 

“Não vou desistir de lutar, nem abandonar os meus companheiros e todas as pessoas que manifestaram tanto amor e que me encheram o coração. Muito obrigado. Espero que a sociedade civil nacional e internacional e todo este apoio dos media não pare”, promete Luaty, cujo estado de saúde se tornou alarmante nos últimos dias.

“Tive a oportunidade de me aperceber do que nos espera lá fora e queria partilhar convosco o que vi: Vi pessoas da nossa sociedade, que lutaram pelo nosso país e viveram o que estamos a viver, a saírem da sombra e a comprometerem-se em nossa defesa, para que a História não se repita. Vi pessoas de várias partes do mundo, organizações de cariz civil, personalidades, desconhecidos com experiências de luta na primeira pessoa que, sozinhos ou em grupo, se aglomeram no pedido da nossa libertação. Já o sentíamos antes, mas não com esta dimensão”, conta.

O julgamento de Luaty Beirão e dos outros 14 presos acontecerá entre 16 e 20 de Novembro. Até lá, o tom de protesto e de revolta prosseguirá, mas sem greve de fome. Foram várias as vigílias pacíficas e acções de solidariedade que decorreram ao longo das últimas semanas em diferentes países, com o lema “Liberdade Já”. Um grito transformado em hashtag e em movimento pela Aministia Internacional.

Lê, de seguida, a carta de Luaty:

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