Greve de fome do activista Luaty Beirão deixa-o em risco de morte


Luaty Beirão

Depois de 111 dias de prisão e de 19 de greve de fome, chegam ontem de Angola, dia 8 de Outubro, notícias que dão conta do estado de saúde débil de Luaty Beirão, um dos 15 activistas angolanos presos.

Luaty, conhecido pelo seu nome artístico de Ikonoklasta, é uma voz activa na discussão do regime angolano. Filho de João Beirão – o primeiro director da Fundação Eduardo dos Santos – tornou-se nos últimos anos numa das figuras mais marcantes da oposição social em Angola. Activista no rap, mas também fora dele, tem tido um papel de destaque – também precipitado pelo contexto familiar e pela entrega de Luaty àquilo que acredita ser a sua missão.

E se muitas datas serviam para contar a história de Luaty Beirão, há uma de que é praticamente impossível não falar. A 2 de Março de 2011, Luaty agudizou a sua posição quando, num concerto enquanto Brigadeiro Mata Frakuzx, incentivou, com uma liberdade gritante face ao clima político do país, e com um discurso particularmente acutilante, à mobilização civil no dia 7 de Março pela libertação de Angola.

O momento rapidamente incendiou o público e reações – assim como más interpretações – não se fizeram esperar, tendo mesmo obrigado o luso-angolano a fazer um video de esclarecimento, amenizando o discurso, colocando uma nova ponderação nas palavras, mas mantendo a sua mensagem.

Desde então que se amiúdam as notícias sobre Ikonoklasta. O rapper-missionário aproximou-se do centro das atenções e as consequências têm sido visiveis. Em 2011 terá sido espancado, em 2012 a polícia angolana terá tentado incriminá-lo por posse de cocaína.

Esta é mais uma página na história atribulada de Ikonoklasta. Ao fim de mais de três meses de prisão silenciosa e em que nenhuma justificação tinha sido dada, começam agora a surgir os primeiros contornos desta narrativa longa e obscura. Segundo avança o jornal online angolano Club-K, Luaty será julgado por falsificação de documentos de autorização de saída do país, que foram encontrados no seu computador, em nome do seu irmão.

“Foram encontrados no computador do arguido Henrique L S Beirão, e que era por ele utilizado, três documentos de autorização de saída, emitidos dois em seu nome, sendo um, aos 7/05/2010 e aposta a assinatura do Tenente Coronel Isaias Alexandre José, e outro aos 15/05/2010 e aposta a assinatura do Tenente Coronel José Abreu “Soweto” e outro em nome do seu irmão João Kiari da Silva Beirão e aposta a assinatura do tenente-Coronel Isaías Alexandre José, que entretanto, segundo as autoridades militares competentes consideram ser tais documentos falsos”, é o que se lê na acusação da Procuradoria da República.

A prisão de Luaty e o seu estado de saúde têm motivado, um pouco por toda a parte, reações da sociedade e da comunidade artistica. As notícias não param de chegar e tornam-se cada vez mais alarmantes. Multiplicam-se os apelos à benevolência a que o regime Angolano parece insensível. A Amnistia Internacional tem sido uma das organizações mais atentas à prisão e aos estado dos presos em Angola – tendo sido criada uma petição online que pode ser facilmente assinada aqui.

Foto: Ampe Rogério/Rede Angola