‘Narcos’: a história viciante e o carácter irresistível de Pablo Escobar


Narcos

A série do Netflix sobre Pablo Escobar é uma história absorvente que não te vai deixar descolar do ecrã. O respeito que o carácter de Escobar impõe dificilmente te deixará deixar enviar mensagens ou fazer qualquer outra coisa enquanto te vicias. E se ainda não fazes parte do cartel, podes fazê-lo a partir desta quarta-feira, com a chegada do Netflix a Portugal.

Narcos conta a história do drug lord colombiano, com factos reais e ficção à mistura, desde os dias em que apenas traficava erva, até ao controlo dos cartéis colombianos. Ao fazer-se suportar por imagens reais de arquivo, a série acaba por dar uma imagem que se assemelha a um documentário. E, ao contrário dos gangsters de Hollywood que falam um inglês com sotaque latino, a serie é falada tanto em espanhol, com o típico sotaque colombiano, como em inglês.

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A vida de Pablo Escobar é quase realismo mágico, o que se entende por alguma situação extremamente detalhada e realista que é invadida por algo demasiado estranho para acreditar. A voz do agente Steve Murphy (Boyd Holbrook), do Drug Enforcement Administration (DEA), narra a história ao longo dos 10 episódios e é fácil assumir imediatamente que Murphy é a estrela da série.

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O contexto é-nos rapidamente explicado: na década de 1970 as drogas invadiram o solo americano, graças aos esforços de cartéis sul-americanos. A cocaína era então um autêntico poço de ouro, fazendo quase tanto dinheiro como mortes pelo caminho. 

A negociação entre a DEA americano e o cartel de Medellín é uma guerra sangrenta e os apetites de Pablo são sempre ambiciosos. Don Pablo emprega quase todo Medellín e, vestindo o espírito de Robin Hood, esforçou-se para ser Presidente da Colômbia, em 1989, chegando a oferecer dinheiro às pessoas na sua campanha eleitoral.
Wagner Moura (Tropa de Elite 1 e 2) é Pablo Escobar e nenhuma outra performance o ultrapassa. Moura é tão ameaçador quanto carismático, brutal quanto astuto e, definitivamente, uma presença que domina o ecrã.

Narcos é uma explicação incrivelmente servida do cenário político e policial colombiano, que se deixa corromper por dinheiro sujo, enquanto a polícia americana tenta reagir contra o comunismo e o tráfico de droga. Contextualmente bem suportada, com a roupa adequada à moda dos anos 80 e músicas colombianas deliciosas, Narcos está igualmente bem escrita, representada e realizada.

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A violência, que predomina nestes cenários, acontece de repente, de forma fria, mas nunca gratuita. A série não se fica por um drama-crime nem por uma história verídica, pois tem demasiadas camadas para tal. Pode não ser uma história nova mas é, sem dúvidas, uma história bem contada, altamente viciante.

Guiado pelo realizador e cinematógrafo José Padilha (Robocop, 2014), com uma equipa de realização incrível, composta por Andrés Baiz, Fernando Coimbra e Guillermo Navarro e criada por Carlo Bernard, Chris Brancato, Doug Miro e Paul Eckstein, é definitivamente uma das séries do ano, ao lado de Mr. Robot.