Não é desta, Sheldon. O Nobel da Física 2015 vai para…


Depois do Nobel da Medicina, a Academia Sueca anunciou os vendedores do Nobel da Física que, este ano, vai para o canadiano Arthur B. McDonald e o japonês Takaaki Kajita, pelo seu trabalho notável na compreensão dos neutrinos.

Os neutrinos são umas das mais intrigantes partículas existentes no Universo. Aliás, trabalhos na investigação das mesmas já foram responsáveis por outros três prémios Nobel, em 1988, 1995 e em 2002. Propostos teoricamente na década de 30 e posteriormente confirmados experimentalmente, os neutrinos são o segundo tipo de partícula mais abundante no Universo, apenas atrás dos fotões. 65 mil milhões de neutrinos atingem 1cm2 da superfície terrestre iluminada pelo Sol num dado segundo.

Há três tipos de neutrinos, consoante o tipo de partículas com que interagem: os neutrinos tau, muão e electrão. Eles são produzidos de diversas formas desde decaimento radioactivo até à produção no interior de estrelas como o Sol. E foi exactamente a quantidade de neutrinos que nos chegavam do Sol que motivou as pesquisas nesta área.

Após medições, os cientistas perceberam que a quantidade de neutrinos que nos chegava a partir do Sol era inferior àquela teoricamente prevista, uma questão conhecida como “o problema do neutrino solar”. Um físico italiano, Bruno Pontecorvo, propôs que, se os neutrinos possuíssem massa, estes poderiam oscilar e assim modificar o seu tipo, o que explicaria a discrepância observada.

Durante anos os cientistas tentaram provar esta teoria e mostrar que os neutrinos não só tinham massa (julgava-se que eram partículas sem massa no modelo do Universo descrito) como também eram capazes de mudar o seu tipo. Anos de colaboração entre McDonald e Kajita que, em 2001, deram frutos, quando ambos conseguiram mostrar que os neutrinos de facto possuíam massa e oscilavam entre três estados, explicando por fim o mistério dos neutrinos solares, que não estavam em falta, apenas “oscilavam” para outra configuração.

O Comité do Nobel considerou esta experiência que provou um modelo teórico com década de existência bastante importante e capaz de contribuir decisivamente para a compreensão do funcionamento do nosso Universo.