O pesadelo Volkswagen continua


pesadelo Volkswagen
 

A Volkswagen está a viver um autêntico pesadelo, desde que confirmou em público ter aldrabado os testes de emissão de gases poluentes de alguns modelos a diesel. A fraude da fabricante alemã rapidamente se alastrou por toda a indústria, colocando marcas, consumidores e governos de alerta.

Martin Winterkorn apresentou a sua demissão na última quarta-feira. “Estou chocado pelos acontecimentos dos últimos dias. Acima de tudo, estou surpreendido que uma falha de conduta nesta escala seja possível no Grupo Volkswagen”, escreveu num comunicado. Como CEO, aceito a responsabilidade pelas irregularidades que foram encontradas nos motores a diesel”, afirmou. “Estou a fazer isto no interesse da empresa, embora não reconheça qualquer atitude errada da minha parte.”

Um novo CEO e tudo tenta mudar

Saiu Winterkorn, entrou Müller. Matthias Müller, de 58 anos, que desde 2010 comandava a Porsche. Fez toda a carreira no grupo, tendo começado na Audi. Tem boas ligações às famílias Porsche e Piech, tendo a maioria dos votos que controlam o grupo Volkswagen. “A minha tarefa mais urgente é reconquistar a confiança no Grupo Volkswagen”, afirmou Müller, num comunicado. “Sob a minha liderança, a Volkswagen fará tudo para desenvolver e implementar os mais rigorosos padrões de conformidade e governança do nosso sector.”

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A empresa fez também outras reestruturações internas, como transferir executivos entre marcas ou grupos regionais. Tudo alterações realizadas sob o olhar atento da bolsa: as acções da Volkswagen ora desciam, ora subiam, mas desciam mais que subiam. Aquela que é a maior fabricante automóvel do mundo viu as suas acções caírem quase 20% na segunda-feira após o grupo ter admitido ter feito asneira. Alguns rivais da Volkswagen, como a BMW, também sentiram um abalo na bolsa.

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Em causa está a Volkswagen a enganar os inspectores que efectuaram testes às emissões tóxicas produzidas por veículos da marca. A fabricante alterou o software de alguns modelos para impedir a medição correcta das emissões, conseguindo, assim, escapar aos limites de poluição impostos por lei. A denúncia partiu Agência de Protecção Ambiental norte-americana (EPA), mas a confissão não tardou a vir do grupo alemão.

“Pessoalmente, lamento profundamente que tenhamos quebrado a confiança dos nossos clientes e do público”, disse, na altura, Martin Winterkorn num comunicado.

11 milhões afectados, 117 mil em Portugal

O esquema da Volkwagen afectou vários veículos com motores a diesel de quatro cilindros com a marca Volkswagen e Audi, produzidos desde 2008. Ao todo, segundo a própria empresa, são 11 milhões os veículos em todo o mundo equipados com o software que permite falsificar os testes anti-poluição. Desses 11 milhões, 2,1 milhões são Audi. “Um desvio assinalável entre os resultados dos testes e a utilização em estrada foi demonstrado exclusivamente neste tipo de motor. A Volkswagen está a trabalhar intensamente para eliminar esses desvios através de medidas técnicas”, explicou a empresa num outro comunicado.

O Grupo Volswagen está conter-se nos gastos e orçamentos para conseguir custear as medidas necessárias para recuperar a confiança dos clientes. Medidas que incluem, por exemplo, disponibilizar informação para cada país ou fazer anúncios em jornais de pedido desculpas. Alguns países têm proibido a venda de veículos da marca, outros promovido testes aos carros de (quase) todas as marcas.

Por cá, os proprietários de veículos Volkswagen, Audi, Skoda e Seat, as marcas do grupo, podem verificar nos sites de cada marca se os seus automóveis incluem o sistema que falseia os resultados dos testes de emissões. Deverão existir em Portugal 117 mil veículos equipados com o software fraudulento.

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