20 anos de ‘Toy Story’


 
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Sim, estamos velhos. E sabemos mesmo que estamos velhos, quando o filme que todos nós vimos, onde descobrimos que os nossos brinquedos podiam vaguear durante a noite, atingiu a redonda marca de 20 anos. Parabéns, Toy Story. Os nossos brinquedos já estão tão bem guardados na gaveta como os do Andy, mas é impossível não sentirmos um certo saudosismo ao chegarmos a esta data.

Afinal, o Toy Story mostrou-nos uma história humana, genuína (se podermos usar a palavra genuíno quando estamos a falar de bonecos de plástico), através de uma rivalidade entre Buzz Lightyear e Woody, que se torna uma grande amizade. E não fomos só nós que gostámos. O Tom Hanks, que deu voz ao Woody, disse que nunca poderia dizer que não a um filme que lhe levantava a dúvida sobre os brinquedos terem uma vida dupla – uma questão que o acompanha desde a infância.

E Toy Story não teve uma vida fácil nos estúdios da Disney. Quando a Pixar apresentou um guião por acabar à Disney em 19 de Novembro de 1993, o resultado foi desastroso. O filme foi classificado de impossível de ver até ao fim e o projecto ficou suspenso até à criação de uma nova história. Porquê? Woody era arrogante e sarcástico, não deixando de o ser até ao fim do filme. Uma boa lição para que as personagens, até mesmo as inanimadas, deixem de ser estáticas. A evolução de Woody ao longo da saga é de um verdadeiro bom da fita, que encontra desafios e cresce com isso.

Ninguém se vai esquecer do dinossauro, do Sr. Cabeça de Batata, e respectiva esposa, do Slinky e de muitos outros brinquedos que tornam este filme num clássico. Até o vilão tem uma boa história. Sid Phillips foi baseada num membro da equipa Pixar que desmontava mesmo brinquedos para fazer criações bizarras. Era tão traumático que a Hasbro proibiu que os soldados do filme fossem GI Joe. 

É em comemoração de todo este universo da saga e de todas as amizades que despertou que a Pixar lançou um vídeo onde celebra os seus vinte anos.

O clipe relembras as grandes amizades criadas pela produtora, como a de Woody e Buzz Lightyear, em Toy Story, mas também do dupla inesperada de Carl e Russell, em Up. Aparecem também momentos de Remy e Linguini, de Ratatouille.

Mas, para sabermos realmente o tempo que se passou, nada como comparar a tecnologia. Quando Peter Docter se apresentou na edição deste ano do SXSW (South by Southwest), não conseguiu evitar gozar com o software que tinham à disposição no tempo do primeiro Toy Story, o primeiro filme animado em computador da Pixar.

De acordo com outro membro da sua equipa, a Pixar teve de fazer rendering do filme ao longo de 20 meses, usando 53 computadores. Cada uma das máquinas nesta render farm tinha um som de um animal, para fazer justiça ao nome de quinta, e tocava-o quando terminava um frame. O número de máquinas chegou até aos 300, mas até isso é uma brincadeira de crianças comparado com o equipamento actual. Em vez de 20 meses, o rendering de Toy Story demoraria apenas o tempo que o filme demora a correr.

Isso também exigiu truques de criatividade para não ter de criar todas as sequências dentro do computador, ou seja, dando-lhes uma base real. Uma história engraçada dos bastidores conta como a equipa de animação aperfeiçoou o movimento dos soldadinhos de plástico ao colar tábuas de madeira nos sapatos para gravar esse tipo de movimento.

Foi revelado recentemente que um novo filme da saga Toy Story chegará aos cinemas em 2018. Depois de ter sido previsto para 2017, parece ser a data final para a quarta produção da saga. O presidente da Pixar, Jim Morris, já avisou que o nome não será Toy Story 4 e que não vai dar continuidade ao filme anterior. Será uma renovação de gerações?

Com John Lasseter, realizador do filme original em 1995, a regressar à sua cadeira e com Tom Hanks e Tim Allen já confirmados para serem Woody e Buzz Lightyear, até os guionistas no projecto são os mesmos. Não deixa de nos assustar que classifiquem o filme como uma boa “comédia romântica,” porque decerto vamos esperar para ver.

Uma brincadeira que já fez 20 anos. E que todos nós vimos como começou.

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