Alga geneticamente modificada poderá revolucionar o tratamento de cancro


 
O Shifter precisa de dinheiro para sobreviver.
Se achas importante o que fazemos, contribui aqui.

Pode acontecer com qualquer tipo de tecido no corpo humano: uma célula sofre uma mutação genética, de alguma forma, e passa a multiplicar-se de maneira descontrolada, desregulando o normal funcionamento do corpo. Quanto mais se multiplica, pior, dando origem a tumores cancerígenos.

A quimioterapia procura impedir a divisão celular destas células, mas inevitavelmente acaba por afectar também células saudáveis. Isto é muito prejudicial, já que enquanto células como as do nosso sistema nervo central duram uma vida inteira, outras como os glóbulos vermelhos são renovados de 4 em 4 meses, havendo ainda outras, como é o caso de células do estômago, cuja duração é de apenas alguns dias. Assim, as células saudáveis ficam impedidas de se renovarem, o que leva aos já conhecidos efeitos secundários destes tratamentos, como é o caso da queda de cabelo.

Contudo, muitos avanços têm sido feitos no sentido de melhorar a forma como os tratamentos são administrados. Em particular, como fazer chegar os medicamentos às células cancerígenas, e apenas a estas, poupando células saudáveis.

Um novo estudo publicado na revista Nature Communications explora um método inovador para atacar o problema: a utilização de uma alga microscópica geneticamente modificada que seja portadora dos medicamentos e apenas os liberte em contacto com as células cancerígenas.

Segundo o Professor Voelcker, “as drogas quimioterapêuticas anti cancro são normalmente tóxicas para tecidos normais. Para minimizar a toxicidade exterior à zona-alvo, as drogas podem ser escondidas no interior de nano partículas com cobertura anticorpo. O anticorpo liga-se apenas a moléculas que se encontram em células cancerígenas, levando assim as drogas tóxicas especificamente às células alvo”.

algacuracancro_02

Esta não é a primeira vez que se consegue levar os medicamentos à boleia, mas os métodos até aqui utilizados usaram sempre estruturas à base de sílica com nanoporos construídas com químicos caros e tóxicos.

O novo método foi testado in vitro em laboratório e em ratos, obtendo resultados muito positivos em ambos os casos. Cerca de 90% das células cancerígenas morreram, e, talvez mais importante ainda, sem provocar efeitos secundários em tecidos saudáveis.

“Apesar de ainda estar no início, este novo sistema de entrega de drogas com materiais renováveis modificados à medida por métodos biotecnológicos tem muito potencial no tratamento de tumores sólidos incluindo tumores cerebrais actualmente incuráveis”afirma ainda o Professor Voelcker.

Texto de: Pedro Almeida
Editado por: Mário Rui André

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!