Captagon: a droga dos jihadistas

Os especialistas que têm estudado os comportamentos dos terroristas do Daesh acreditam que todos eles estão sob efeito de drogas nos momentos dos ataques.

droga dos jihadistas

Inibe o medo, a sensação de dor e provoca um estado de euforia. É assim que é descrita Captagon, a chamada droga dos jihadistas que é notícia desde os ataques de 13 de Novembro em Paris.

Quem sobreviveu aos atentados fala em assassinos frios, que mantiveram a calma e não pestanejaram, não só enquanto disparavam, mas também nos momentos em que se fizeram explodir. Os relatos parecem bater certo com os efeitos conhecidos da Captagon e a descoberta de várias seringas num quarto de hotel por onde passou um dos atiradores fez aumentar mais ainda a suspeita.

Apesar de ainda não terem sido conhecidos os resultados toxicológicos feitos aos vestígios encontrados, há outros motivos que podem ligar os terroristas ao seu consumo. Afinal o que é a Captagon, de onde vem e como surgiu?

É uma mistura de anfetaminas (cloridrato de fenetilina) e cafeína, cada dose não custa mais de 20 euros e é normalmente ingerida em comprimidos mas pode ser consumida por via intravenosa, o que potencia os seus efeitos. A Síria é uma das principais produtoras e consumidoras da droga, que é usada por soldados e rebeldes. A Captagon circula entre militantes do Daesh que alem de a consumirem, a comercializam e usam como moeda de troca por armas. O mercado negro de Captagon significa muito dinheiro para o país no geral e dá à economia a energia fiscal para que a guerra se arraste.

De acordo com a Forbes, a marca Captagon é reconhecida ao ponto de já existir um mercado de contrafacção da droga que, também ele, gera milhares. De acordo com o gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, os três países onde já se registaram as maiores apreensões de Captagon são a Arábia Saudita, a Jordânia e a Síria. 

A droga também é popular entre a elite jovem do Médio Oriente. De acordo com o Voice of America, é usada pelos estudantes para se manterem acordados e controlarem os nervos, pelas mulheres para perderem peso e pelos homens para aumentar o desempenho sexual. Um príncipe saudita foi detido no mês passado no aeroporto de Beirute, no Líbano, depois de ter sido encontrado no seu avião privado um carregamento de 40 caixas de droga, onde à cocaína se juntava a Captagon.

A Captagon começou a ser produzida nos anos 1960. Era usada como medicamento geriátrico e pediátrico contra a depressão e a hiperatividade, mas foi proibida em 1986 pela Organização Mundial de Saúde por ter ficado provado que criava dependência. Passou a ser preparada de forma clandestina e com algumas alterações à sua composição base. A sua produção é barata e simples, são apenas necessários conhecimentos básicos de química pelo que grande parte é fabricada em laboratórios caseiros.

Em declarações à agência Reuters, um psiquiatra libanês refere que a droga tem efeitos estimulantes: “não te deixa dormir, não comes e ficas cheio de energia”. Num documentário da BBC divulgado em Setembro, quem a usa diz que: “sentes-te como se fosses o dono do mundo”, “como se tivesse um poder que mais ninguém tem” e outro refere mesmo que perdeu o medo de tudo.

Os especialistas que têm estudado os comportamentos dos terroristas do Daesh acreditam que todos eles estão sob efeito de drogas nos momentos dos ataques, resta confirmar e saber se se trata de Captagon. Até lá, deixamos-te abaixo o documentário onde podes ficar a conhecer um pouco melhor a substância de eleição da Síria em guerra.

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