Edward Snowden dá-nos uma lição de segurança online


segurança online
 
O Shifter precisa de dinheiro para sobreviver.
Se achas importante o que fazemos, contribui aqui.

Edward Snowden vive como traidor para uns e como herói para outros tantos. Lá ao longe, em Moscovo, a cidade que o acolhe desde 1 de Agosto de 2013, deu uma entrevista a Micah Lee do The Intercept, relacionada com segurança online.

Desta vez, Snowden não falou sobre o que já sabemos. Não foi questionado acerca do que trouxe à luz sobre a NSA, mas sim sobre o que podemos fazer para não deixarmos os nossos dados desprotegidos face a qualquer tipo de ameaça à nossa privacidade. Esteja ela personificada numa agência de segurança nacional ou… nos nossos pais.

Das respostas de Snowden extraem-se conselhos valiosos esculpidos pela experiência e que podem fazer a diferença a qualquer utilizador. Aliás, o norte-americano defende que a segurança online “é importante mesmo se não estiveres preocupado com a NSA”. E massifica a questão da vigilância quando mostra que todos podemos estar sobre ameaça:

“Quando pensas nas vítimas da vigilância, numa base diária, estás a pensar em pessoas que estão em relações abusivas, pensas em pessoas que estão preocupadas com stalkers, pensas em crianças que estão preocupadas com as coisas que os seus pais ouvem sobre si.”

Nestas circunstâncias, Snowden aconselha a encriptar informação:

“O primeiro passo que qualquer pessoa pode dar é encriptar as suas chamadas e mensagens. Podes fazer isso através da aplicação móvel Signal, da Open Whisper Systems. É gratuita e podes descarregá-la já. E com qualquer pessoa que estejas a falar, quando interceptadas, as comunicações, não podem ser lidas pelos interceptores.”

Outro dos perigos apontados por Edward Snowden é o furto de palavras passe e os data dumps. Como resposta, o americano apresenta duas soluções. Uma delas é:

 “Usa um gestor de passwords. Uma das principais coisas que leva informação privada a ser exposta, não aos adversários mais poderosos, mas aos mais comuns, são os data dumps. As tuas credenciais podem ser reveladas porque um serviço que deixaste de usar em 2007 é hackeado , e a password que estavas a usar para aquele site é a mesma que usas no Gmail. Um gestor de passwords ajuda-te a criar passwords únicas para cada site, que sejam indecifráveis, sem que tenhas a chatice de as memorizar.”

A outra é:

“A outra coisa é uma autenticação de dois passos. O valor disto é que se alguém te roubar a password ou a expuser em algum lado, a autenticação de dois passos oferece a possibilidade de te ser enviado uma notificação referente a um meio de autenticação secundário.”

Outro dos instrumentos que Snowden faz questão de utilizar diariamente é o Tor. Afirma que é o seu mecanismo preferido e embora saiba que não é totalmente infalível, reconhece-lhe imensa utilidade até para aqueles que vivem em regimes onde a internet é controlada pelo governo. Defende o uso de adblockers porque muita da publicidade feita online, abre brechas perigosas que podem representar atalhos fáceis a quem te quiser atacar. Pelo meio ainda nos adverte para o uso de smartphones porque “deixam um registo permanente de todas as tuas localizações físicas à medida que te mexes”.

E tudo isto é importante mas nada é sinónimo de paranóia. Aliás, a utilização destas ferramentas previnem exactamente esse estado de euforia face a um hipotético ataque. Para Snowden estas são as roupas que nos protegem a identidade nas ruas da internet onde os perigos se escondem em sítios que nem sabemos que existem. É perigoso. Mas uma avaliação consciente da nossa presença online e da importância das nossas informações pode facilmente concluir como é que nos devemos proteger.

“Tem tudo a ver com a avaliação pessoal do teu modelo pessoal de ameaça”, defende Snowden. “Isso determina quanto esforço precisas de investir na mitigação desse risco.”

O esforço deve, no entanto, ser articulado com outros meios. Apesar de Snowden ver na tecnologia a forma “mais rápida” de garantir uma resposta a esta violação de liberdade, considera que esse direito deve ser assegurado através de qualquer meio, seja ele político ou não. Aliás, foi exactamente essa articulação que o levou para Moscovo. Quando a sua presença se tornou na ameaça maior aos segredos que a NSA escondia do grande público, a solução passou a estar fora das capacidades da tecnologia.

Queres mais lições de Edward Snowden? Lê a entrevista na íntegra aqui.

Foto: Flickr

Texto de: André Cabral
Editado por: Mário Rui André

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!