Em “desespero absoluto”, o Conservatório Nacional pediu donativos aos amigos e pais dos alunos


Conservatório Nacional

Foi em estado de “desespero absoluto” que a Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN) começou, na semana passada, a pedir donativos aos amigos e pais dos alunos. A Escola ficou sem dinheiro, devido ao corte de 70 mil euros no orçamento pelo Governo. O alerta percorreu a imprensa e redes sociais, levando o Instituto de Gestão Financeira Da Educação (IGEFE) a anunciar hoje o reforço de 35 mil euros na verba do EMCN.

“Chegou hoje à escola um email onde o IGEFE informa que reforçou o nosso orçamento. Embora o valor seja apenas de metade (35 000 euros) da verba que nos foi retirada em relação ao orçamento do ano anterior, a mesma aproxima-se do montante que corresponde aos compromissos inadiáveis e obrigatórios”, escreveu Ana Mafalda Pernão, directora do EMCN no Facebook. “O empenho de todos os que nos acompanham revelou-se muito importante, pois em menos de uma semana conseguimos o que não tinha sido possível em 5 meses. A EMCN, apesar dos constrangimentos atuais do edifício que ocupa, compromete-se a oferecer o melhor serviço educativo com vista à formação dos futuros cidadãos do nosso país.”

Foi no final de Outubro que ficámos a conhecer as dificuldades que a Escola de Música do Conservatório Nacional atravessa. No site oficial, Ana Mafalda Pernão explicou que o orçamento de Estado atribuído para o ano de 2015 foi reduzido em 43%. Nos últimos 12 anos, os orçamentos rondavam os 180 mil euros. No ano passado desceu para 162 mil. Mas, este ano, a verba atribuída foi de 90 mil, menos 70 mil euros em relação ao orçamento do ano anterior.

A direcção da Escola foi informada do orçamento em Maio e, desde então, pediu ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), por várias vezes, mas sempre sem sucesso, que revisse a verba. Dada a falta de ajuda estatal, Ana Mafalda Pernão decidiu lançar uma campanha de donativos junto dos amigos e pais dos alunos da instituição. No site da EMCN está a carta enviada para os familiares e amigos da escola, assim como o NIB da escola para quem quiser ajudar. “Venho assim, e como principal responsável pela viabilidade económica da escola, solicitar o vosso apoio, no que for viável a cada um e nos actuais constrangimentos que todos sofremos, para a entrega do donativo que considerarem possível e justo, tendo em conta o serviço que a EMCN presta a cada um dos seus alunos e a mais-valia que o mesmo representa no seu futuro”, lê-se na missiva.

Os fundos recolhidos serviriam para conseguir pagar contas tão básicas como a água, luz, telefone ou, simplesmente, comprar papel higiénico. “Houve coisas que deixaram de se fazer, como iniciativas habituais, ou visitas de estudo”, que passaram a ser integralmente pagas pelos alunos, contou. Mas, mesmo assim, não foi suficiente: “Não tenho dinheiro. Acabou. Estes dois meses não vou receber nada”, desabafou à agência Lusa a directora da escola situada no Bairro Alto, em Lisboa.

“Os pais não têm qualquer obrigação de contribuir, mas se cada um der um euro, já serão 900 euros e, neste momento, qualquer ajuda é bem-vinda. Este pedido de donativo é o desespero absoluto, porque o dinheiro acabou”, revelou.

No ano passado, o mau estado de conservação do edifício centenário que colocava em perigo alunos e funcionários levou a várias manifestações que culminaram com a transferência de verbas para a realização de obras urgentes de impermeabilização de cobertura e manutenção das salas onde os tectos já tinham desabado e pátio interior. O Ministério transferiu cerca de 43 mil euros e agora está a decorrer o processo junto da Parque Escolar para que todo o edifício seja requalificado.

Texto: Lusa/Shifter

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