Exército americano quer instalar chips de recuperação de memória no cérebro humano


Na era dos computadores e dos smartphones, cada vez mais contamos com ajuda para memorizar coisas simples, sejam elas factos, ideias ou compromissos. Contudo, não há nada como poder usar a nossa própria cabeça, algo que para os 1,7 milhões de cidadãos que sofrem de traumatismo cranioencefálico, apenas nos Estados Unidos, infelizmente não será tão fácil. No exército americano, desde 2000 foram diagnosticados 270 000 soldados com esta condição.

Apesar da dimensão do problema, existem poucos métodos com a capacidade de mitigar eficazmente as suas consequências a longo prazo. Razão pela qual foi criado o programa Restauração de Memória Activa (RAM em inglês, um trocadilho com Random Access Memory), que se insere na iniciativa BRAIN anunciada por Barak Obama em 2013, e se encontra a ser desenvolvido na agência de tecnologia de defesa estadunidense DARPA.

Não é a primeira vez que esta agência faz este tipo de investigação, e sem dúvida que sabem o que fazem.

Mais concretamente, nas palavras do Dr. Sanchez, o projecto RAM propõe-se a “desenvolver e testar um dispositivo médico implantável de interface neuronal sem fios para utilização humana em ambiente clínico” com o objectivo de “ultrapassar os obstáculos que interferem com a capacidade do individuo de criar memórias ou de as recordar.”

Ou seja, é um dispositivo que é implantado no cérebro e que irá melhorar a memória do utilizador. Se há alturas em que a ciência parece ficção científica, esta é certamente uma delas.

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Numa primeira fase, os cientistas irão desenvolver modelos computacionais que descrevam a forma como os neurónios formam memórias declarativas, blocos de memória que podem ser descritos por palavras e conscientemente relembrados, como lugares e eventos. Irão também procurar entender e descodificar os sinais neuronais de forma a saber qual a forma mais eficaz de estimulação que permita melhorar os processos envolvidos na criação de memórias.

Os modelos desenvolvidos irão posteriormente ser integrados em dispositivos implantáveis e testados em pacientes voluntários que se encontrem a viver com deficiências a nível de criação de memórias declarativas, ou incapacidade de recordar as mesmas, ou então em pacientes que venham a ser sujeitos a neurocirurgia por outros motivos.

De acordo com o Washington Post, o programa terá acesso a um financiamento de 78,9 milhões de dólares ao longo de 5 anos. Este montante irá ser dividido entre várias equipas em diferentes instituições, universidades e empresas do sector privado que irão trabalhar também paralelamente em abordagens diferentes, estando o financiamento dependente do alcance de objectivos predeterminados.

Esta tecnologia tem a capacidade de capturar a imaginação e o entusiasmo do público e de quem nele trabalha, pelo que há muita expectativa em torno deste programa.

Texto de: Pedro Almeida
Editado por: Pedro Alves da Silva