Justin Trudeau: o político mais mediático do momento já fez boxe e strip


Justin Trudeau
 
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No passado mês de Outubro o Canadá elegeu um novo líder. A surpreendente vitória de Justin Trudeau e do Partido Liberal, que conduz desde 2013, rompeu com uma década vincada à direita do espectro político marcada pelo domínio do Partido Conservador. Trudeau arrecadou cerca de 40% dos votos e assenta assim, pelo seu partido, 184 deputados que formam uma maioria absoluta num parlamento que é constituído por 338 lugares.

Apesar do fenómeno político a internet não reagiu de forma tão efusiva à eleição pelos seus possíveis efeitos práticos no estado canadiano e na sua sociedade. A internet reagiu à imagem mediática que Trudeau trás adjacente a si, articulada pela sua irreverência e boa aparência. Nesta base multiplicam-se os tweets decorados com a hashtag #trudeaumania e os clássicos artigos de enumeração do Buzzfeed em louvor à personalidade e aspecto do novo primeiro ministro canadiano.

Mas apesar da estética existem outros factores, mais dignos de serem sublinhados a marcador, que explicam o mediatismo de Trudeau.

A família

Justin Trudeau é filho do falecido Pierre Trudeau, um carismático ex-primeiro-ministro canadiano que governou o Canadá entre 1968 a 1979 e de 1980 a 1984.

Trudeau pai nunca foi Doctor Who em qualquer das temporadas da série de ficção científica, mas foi responsável pela liberalização das leis do aborto, pela alteração das leis do divórcio e pela despenalização da homossexualidade no Canadá. Sobre a última conquista disse: “O Estado não tem lugar nos quartos de dormir da nação.”

Conquistou a primeira maioria absoluta para o partido liberal em 15 anos no ano de 1968 e debateu-se pela repatriação da constituição durante a sua vida política. Uma tentativa de resgate de soberania ao Reino Unido que terminou numa vitória em 1982. Pierre foi também o líder que lançou tanques de guerra para as ruas para prevenir uma hipotética insurreição por parte dos defensores da independência do Quebeque, numa altura em que a Frente de Libertação dessa mesma região raptava um diplomata e um ministro.

Os Estados Unidos franziram-lhe o sobrolho quando publicamente criticou a Guerra do Vietname e lhe conheceu Fidel Castro enquanto amigo. Entrou na Câmara dos Comuns de sandálias, namorou figuras públicas e a sua aparência também lhe valeu uma legião de fãs. Menor ou maior que a do filho não sabemos, mas tanto um como outro somam episódios inócuos, felizes e infelizes, que os deixam no foco dos media.

Desta relação podemos depreender que a mesma se espelha no eleitorado. Pierre influenciou Justin a ser e os pais dos eleitores, que outrora estiveram com Pierre, ensinam os filhos a estar com Justin.

A irreverência

Do carisma do pai, Justin absorveu muito. Mas com a sua personalidade bem composta, o primeiro-ministro canadiano soube distanciar-se da sombra de Pierre e criar uma identidade individual. Dos episódios que a irreverência de Justin Trudeau proporcionaram destacam-se os mais mediáticos. Em 2012, enfrentou o conservador Patrick Brazeau numa luta de boxe organizada para fins de caridade. O derrotado teria de cortar o cabelo e Trudeau arrumou o adversário em três rounds.

Em 2011, em mais um evento de angariação de fundos, fez um strip para adicionar uns dólares à quantia somada.

Agora Trudeau surpreende e volta a marcar a diferença com uma política que já não devia ser novidade. Quebrou uma tradição internacional e nomeou um governo igual em género – composto por 15 homens e 15 mulheres – e multicultural. Quando questionado acerca disso, Trudeau disse “Porque estamos em 2015”. Nacionalmente o político vai também arrebatando os corações dos ambientalistas e dos pacifistas.

Já informou Obama que o Canadá deixará de participar nos bombardeamentos ao Estado Islâmico e comprometeu-se a tornar o país mais sustentável. Conseguirá Trudeau manter esta base de fãs durante o(s) seu(s) mandato(s)?

Texto: André Almeida Cabral
Editado por: Rita Pinto

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