‘Master of None’, de Aziz Ansari, é uma das séries do ano


Master of None

Chegou este mês ao catálogo (ainda reduzido) da Netflix a série Master of None, criada pelo actor e comediante indo-americano Aziz Ansari. Só os mais distraídos desconhecerão Aziz que, além de um dos comediantes mais badalados dos EUA, já antes nos tinha divertido com as suas interpretações em Human Giant e na célebre Parks & Recreation, série criada pela não menos brilhante Amy Pohler, além de ter tido breves participações noutras séries como Scrubs.

Agora, numa série criada por si e Alan Yang (argumentista de Parks & Recreation), Aziz estreia-se como protagonista num trabalho fortemente baseado nos seus espectáculos de stand-up e no seu livro Modern Romance, lançado recentemente e que aborda a descoberta do amor numa moderna época de Tinder e Facebook.

A comédia usada em Master of None está longe de ser confundida com uma outra qualquer, fácil ou barata, dentro do género. Pelo contrário, a comédia e o humor são sempre usados como veículos e desbloqueadores de diálogo para desfragmentar questões fracturantes da sociedade nos dias de hoje como o sexismo ou o preconceito.

Apesar de começar com uma ligeireza agradável na abordagem a temas como a sexualidade, o racismo ou até a vida de solteiro numa idade já adulta, a série, de forma estruturada e natural, passa dessa leveza de espírito para uma comédia dramática admiravelmente bem escrita e ritmada, distante de outras do género como Louie de Louis C. K. ou Curb Your Enthusiasm de Larry David.

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Como se estes os factores não fossem já suficientemente aliciantes para a vermos, com a fotografia a cargo de Mark Schwartzbard, responsável pelas filmagens desta primeira temporada, ou a diversificada banda sonora, essencial ao desenrolar da série e que conta com nomes como Aphex Twin, Mac DeMarco, Lou Reed, Johnny Cash, The Cure, Depeche Mode ou Father John Misty ficamos com razões de sobra.

Brilhantemente escrita e actual, Master of None lida de frente com questões com as quais nos cruzamos no dia-a-dia. Devido aos seus temas parece dialogar directamente connosco, também através de referências aos anos 90, ou a séries e bandas que todos nós ouvimos ou ainda às redes sociais como Facebook, Tinder ou Snapchat. Talvez seja esse o segredo para o sucesso da série, o facto de abordar de olhos nos olhos as coisas simples e mais mundanas da vida,  coisas que ainda assim nos rodeiam todos os dias e com as quais temos uma identificação tão óbvia, juntando a isso o humor inconfundível de Aziz Ansari.